No início da minha caminhada cristã, eu ouvia constantemente uma frase que muitas pessoas repetiam quando eu passava por dificuldades: "Olhe para o alto. Olhe para Jesus."
Mas, sendo ainda imatura na fé, meu coração não compreendia o verdadeiro significado dessas palavras. Dentro de mim surgiam perguntas: Como assim? O que isso realmente significa?
Minha expectativa ainda estava nas pessoas. Eu esperava delas aquilo que elas nunca poderiam me oferecer completamente. Buscava aceitação, respostas, segurança e cura em pessoas que também carregavam suas próprias limitações e necessidades.
Naquele tempo eu ainda não entendia que o vazio do meu coração não seria preenchido por alguém ao meu redor, mas por um relacionamento profundo com Aquele que me amou primeiro.
Era necessário conhecer Jesus.
Era necessário caminhar com Ele.
Era necessário construir intimidade.
Porque ninguém pode revelar um Deus que nunca decidiu conhecer.
Com o tempo compreendi que olhar para Jesus não era apenas levantar os olhos para o céu esperando que algo acontecesse. Era desenvolver um relacionamento tão profundo com Ele que Sua vida começasse a transformar a minha maneira de enxergar tudo e todos.
A carência humana e a plenitude de Cristo
Faz parte da natureza humana esperar algo das pessoas.
Todos nós carregamos marcas, rejeições, dores e carências construídas ao longo da vida. Naturalmente esperamos que alguém nos complete, nos compreenda ou cure aquilo que está quebrado dentro de nós.
Entretanto, nenhuma pessoa possui a capacidade de ocupar o lugar que pertence somente a Cristo.
Existe um espaço dentro do coração humano que foi criado exclusivamente para Deus.
Enquanto tentamos preenchê-lo com pessoas, relacionamentos, reconhecimento ou aprovação, continuaremos frustrados.
Somente Jesus pode preencher completamente esse vazio. A maturidade espiritual começa quando deixamos de exigir dos outros aquilo que apenas Deus pode nos dar.
É nesse momento que compreendemos que nossa responsabilidade não é esperar que alguém produza em nós aquilo que somente um relacionamento com Cristo pode gerar.
Precisamos buscá-Lo.
Precisamos conhecê-Lo.
Precisamos alimentar nossa comunhão com Ele diariamente.
A ilustração do casamento
Pense em um casal que vive na mesma casa.
Todos os dias comem à mesma mesa, dormem sob o mesmo teto e compartilham a mesma rotina.
Mesmo assim, existe uma barreira invisível entre eles.
Falta diálogo.
Falta transparência.
Falta cumplicidade.
Eles convivem, mas não se conhecem profundamente.
As questões mais simples permanecem sem solução porque nenhum dos dois consegue abrir verdadeiramente o coração.
Em determinado momento, um deles decide procurar uma amiga ou alguém de confiança para pedir ajuda.
Essa pessoa pode oferecer conselhos sinceros, mas nunca conhecerá aquela realidade tão profundamente quanto o próprio cônjuge que vive dentro da mesma casa.
Assim também acontece com Deus.
Muitas vezes buscamos respostas em todos os lugares, ouvimos inúmeras pessoas e acumulamos conselhos, enquanto negligenciamos justamente Aquele que permanece conosco todos os dias.
Ele conhece nossas dores antes mesmo que consigamos colocá-las em palavras.
Ele conhece nossas lágrimas.
Conhece nossos medos. Conhece nossas perguntas. Conhece até aquilo que escondemos de nós mesmos. Nada substitui a intimidade com Deus.
Quando nossas dores nos impedem de amar
Outra realidade que Deus começou a revelar ao meu coração foi o quanto nossas próprias dores podem nos tornar indiferentes ao sofrimento das outras pessoas.
Quando estamos consumidos por nossas necessidades, passamos a enxergar apenas aquilo que nos falta.
Quantas vezes paramos verdadeiramente para ouvir alguém?
Quantas vezes nos interessamos sinceramente pela dor do outro?
Quantas vezes deixamos de responder rapidamente para simplesmente permanecer presentes ao lado de quem sofre?
A cura produz compaixão. Quem experimenta o amor de Deus aprende a amar. Quem recebe misericórdia aprende a oferecer misericórdia. Quanto mais Cristo ocupa espaço em nosso coração, menos espaço existe para o egoísmo.
O perigo da religiosidade
Sem perceber, podemos entrar em um modo automático de viver a fé. Continuamos frequentando cultos. Cantamos. Servimos. Conhecemos versículos. Mas o relacionamento vai sendo substituído pelo hábito.
A religião sem intimidade produz orgulho. Começamos a medir maturidade espiritual pelo tempo de igreja, pelos cargos que ocupamos ou pelo conhecimento adquirido. Esquecemos que Jesus ensinou exatamente o contrário.
O maior entre vocês será aquele que serve." (Mateus 23:11)
No Reino de Deus, maturidade não é medida pelo tempo de caminhada.
É medida pelo quanto Cristo foi formado em nós.
Há pessoas com muitos anos de igreja que ainda não desenvolveram intimidade com Deus.
Da mesma forma, existem pessoas com pouco tempo de conversão que possuem uma fome intensa pela Palavra e um relacionamento profundo com o Senhor. O que produz crescimento não é apenas o tempo.
É a busca.
É a disposição de permanecer aos pés de Jesus.
O dia em que compreendi
Jamais esquecerei um momento específico da minha caminhada.
Eu estava em um tempo de louvor e adoração. Havia muitas pessoas ao meu redor, mas naquele instante era como se existíssemos apenas eu e Deus.
Enquanto adorava, repetia constantemente: Senhor, eu quero Te ver... Eu quero Te ver."
Foi então que, de maneira suave e profundamente marcante, ouvi em meu coração: "Olhe para o seu irmão."
Naquele instante algo mudou dentro de mim. Finalmente compreendi. Jesus não estava distante. Não estava apenas no alto. Ele habitava em mim.
E porque habitava em mim, eu poderia reconhecê-Lo refletido naqueles que também pertenciam a Ele.
Passei a entender as palavras de Jesus: "Sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeram." (Mateus 25:40)
Quando aprendemos a enxergar Cristo no próximo, deixamos de olhar as pessoas apenas por suas limitações. Passamos a vê-las como alguém profundamente amado por Deus. A comunhão deixa de ser apenas convivência e torna-se expressão da própria presença de Cristo.
Alimentando o espírito
Vivemos em uma geração acostumada a ouvir alguém falar sobre Deus, mas nem sempre disposta a conhecê-Lo pessoalmente. É muito mais fácil consumir mensagens do que desenvolver intimidade. Entretanto, ninguém permanece espiritualmente forte vivendo apenas da experiência dos outros.
Assim como nosso corpo necessita diariamente de pão e água para permanecer saudável, nosso espírito precisa ser alimentado continuamente pela Palavra de Deus.
A Bíblia não é apenas um livro de conhecimento.
Ela é alimento.
Ela fortalece.
Ela corrige.
Ela consola.
Ela revela Cristo.
Quem negligencia a Palavra enfraquece espiritualmente. Quem permanece nela encontra força para enfrentar os desafios da vida e discernimento para permanecer firme em qualquer estação.
Hoje compreendo que olhar para Jesus vai muito além de levantar os olhos para o céu. É viver em comunhão com Ele todos os dias. É permitir que Sua Palavra transforme nosso coração. É deixar que Seu amor cure nossas carências. É servir ao próximo com humildade. É reconhecer Sua imagem refletida em nossos irmãos. Quanto mais conhecemos a Cristo, mais nos parecemos com Ele. E quanto mais nos parecemos com Ele, mais conseguimos enxergá-Lo nas pessoas que Deus coloca em nosso caminho.
Nunca esquecerei daquele dia em que ouvi: "Olhe para o seu irmão."
Naquele momento compreendi que Deus nunca esteve distante.
Ele sempre esteve comigo.
E continua cumprindo Sua promessa: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei."(Hebreus 13:5)
Quando Cristo habita em nós, aprendemos a encontrá-Lo não apenas nos momentos de oração, mas também no amor, no serviço e na comunhão com aqueles que fazem parte da família da fé.
Deus vos abençoe
Sara Oliveira Ribeiro

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