Durante muito tempo aprendemos a medir a bênção de Deus pelas coisas que chegam às nossas mãos. Chamamos de bênção uma promoção, uma cura, uma casa, uma viagem, um casamento restaurado ou uma porta aberta. Embora Deus realmente conceda dádivas aos seus filhos, nenhuma delas é a essência da bênção divina.
As Escrituras revelam algo muito mais profundo.
A bênção de Deus nunca foi uma coisa.
A bênção de Deus sempre foi uma Pessoa.
Antes que Deus nos desse qualquer presente, Ele decidiu entregar Seu próprio Filho. Antes de nos enriquecer com recursos, nos enriqueceu com Sua presença. Antes de resolver nossos problemas temporários, resolveu nossa separação eterna.
Por isso Paulo escreve: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo." (Efésios 1:3)
Perceba que Paulo não diz que Deus nos dará bênçãos. Ele afirma que Deus já nos abençoou.
Quando?
Em Cristo.
Onde?
Em Cristo.
Como?
Por meio de Cristo.
Cristo não veio trazer a bênção.
Cristo veio sendo a própria bênção.
A bênção começou quando Deus desceu
O homem sempre tentou subir até Deus. Religiões são construídas sobre escadas. O evangelho foi construído sobre uma descida.
Enquanto Babel dizia: "Subamos até os céus", Deus respondeu descendo dos céus até nós.
A maior demonstração da bênção divina não foi Deus permanecer distante em Sua majestade. Foi Deus abandonar Seus privilégios sem abandonar Sua divindade. "Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo..." (Filipenses 2:7)
A bênção começou no momento em que o Infinito aceitou ser envolvido pelo ventre de uma mulher.
O Criador aceitou depender da criação. O Dono do universo aceitou aprender a andar. O Sustentador das galáxias aceitou sentir fome. O Todo-Poderoso aceitou o cansaço. O Santo aceitou viver entre pecadores. A bênção de Deus não começou com uma transferência de riquezas. Começou com uma transferência de natureza.
Deus entrou na história humana para trazer a humanidade de volta ao Pai.
Deus abençoa diminuindo-Se
Existe uma lógica completamente diferente entre o Reino de Deus e o reino dos homens. O homem acredita que abençoar é subir. Deus revelou que abençoar é descer. Cada vez que Deus manifesta Seu amor, Ele se aproxima. No Éden, caminhava com Adão. No deserto, habitava no tabernáculo. Depois, habitou no templo.
Até que decidiu fazer algo impensável.
Habitou um corpo humano. A encarnação não foi apenas um evento histórico. Foi a maior declaração da intenção de Deus. Ele não queria apenas visitar a humanidade. Queria unir-Se a ela. A verdadeira bênção sempre envolve proximidade.
Por isso Emmanuel significa: Deus conosco. Não apenas Deus acima. Não apenas Deus por nós. Mas Deus conosco.
O lava-pés revela o verdadeiro significado da bênção
Existe uma cena que desmonta completamente nossa definição de prosperidade.
Jesus se levanta da mesa.
Tira as vestes.
Cinge-Se com uma toalha.
Coloca água numa bacia.
Ajoelha-Se.
E começa a lavar os pés dos discípulos. (João 13)
Imagine a cena. Os pés mais dignos do universo estão diante dos pés mais indignos da Terra. Quem deveria ser servido está servindo. Quem merece toda honra está limpando a sujeira daqueles que o abandonariam poucas horas depois. Ali não existe apenas humildade. Existe uma revelação.
Deus está mostrando como Ele abençoa. Ele não abençoa apenas entregando coisas. Ele abençoa entregando a Si mesmo. A água na bacia apontava para o sangue da cruz. A toalha apontava para Sua humanidade. A posição de servo apontava para Seu coração eterno. O Reino inteiro estava resumido naquele chão.
Toda vez que Deus deseja nos levantar, primeiro Ele se abaixa. Porque Sua grandeza nunca teve medo da humildade.
A bênção não é aquilo que Deus coloca em suas mãos. É aquilo que Deus forma dentro de você. O problema é que confundimos presentes com presença. Gostamos mais das mãos abertas de Deus do que do coração aberto de Deus. Buscamos milagres. Deus busca filhos parecidos com Jesus.
Pedimos mudanças externas. Ele opera transformações internas. Pedimos conforto. Ele produz caráter. Pedimos respostas. Ele oferece relacionamento.
Tudo isso porque o propósito da bênção nunca foi facilitar nossa vida.
Foi conformar-nos à imagem do Filho. (Romanos 8:29)
Tetelestai: a bênção foi consumada
Na cruz, Jesus pronuncia uma única palavra: Tetelestai. "Está consumado." Essa palavra era usada para indicar que uma dívida havia sido totalmente paga. Nada restava. Nenhum complemento era necessário. Ali, Deus não apenas terminou um sofrimento. Concluiu Sua obra de bênção. O pecado foi vencido. A culpa foi removida. A separação terminou. A justiça foi satisfeita. O acesso ao Pai foi aberto.
A adoção foi estabelecida. A morte foi derrotada. O véu foi rasgado. Por isso, depois da cruz, ninguém pode dizer que Deus ainda está procurando uma forma de abençoar Seu povo.
Ele já fez o máximo possível.
Deu Seu próprio Filho.
Romanos 8:32 pergunta: "Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?"
Observe a ordem. Primeiro vem Cristo. Depois vêm todas as outras coisas. Nunca o contrário.
Toda bênção verdadeira passa por Cristo
Sem Cristo, riquezas podem produzir orgulho. Sem Cristo, saúde pode produzir independência. Sem Cristo, sucesso pode produzir idolatria. Sem Cristo, conhecimento pode produzir arrogância. Mas quando Cristo ocupa o centro, todas as demais coisas encontram seu propósito.
Cristo santifica aquilo que recebemos. Cristo orienta aquilo que administramos. Cristo transforma recursos em instrumentos do Reino. Por isso Deus nunca pretendeu que buscássemos apenas bênçãos. Ele queria que buscássemos Seu Filho. Porque quem encontra Cristo encontra a fonte de todas as bênçãos.
A maior pobreza é possuir tudo, menos Cristo
Há pessoas extremamente pobres materialmente que possuem a maior riqueza do universo. Cristo. E há pessoas que acumulam bens, influência, reconhecimento e conforto, mas permanecem vazias porque ainda não encontraram a vida que somente Cristo oferece.
O céu nunca mediu riqueza pelo tamanho das posses.
O céu mede riqueza pela comunhão com o Filho.
Por isso Paulo declarou: "Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor." (Filipenses 3:8)
Ele descobriu que conhecer Cristo vale mais do que possuir o mundo inteiro.
A verdadeira bênção continua acontecendo hoje
Sempre que Cristo é formado em alguém, Deus está abençoando.
Sempre que o ego morre para que Cristo apareça, Deus está abençoando.
Sempre que um coração endurecido é quebrantado, Deus está abençoando.
Sempre que alguém aprende a servir em vez de dominar, Deus está abençoando.
Sempre que perdoamos como Cristo perdoou, Deus está abençoando.
Sempre que amamos como Cristo amou, Deus está abençoando.
Sempre que lavamos os pés de alguém, literal ou simbolicamente, estamos revelando ao mundo a mesma bênção que recebemos. Porque fomos abençoados por um Deus que se ajoelhou diante de nós.
A bênção tem um rosto
Talvez a maior distorção da igreja contemporânea seja transformar a bênção em um objeto de consumo espiritual. Corremos atrás de campanhas, métodos e promessas como se a bênção fosse uma mercadoria distribuída por Deus.
Mas o evangelho anuncia algo infinitamente maior. A bênção tem um rosto. Tem mãos marcadas por cravos. Tem joelhos que se dobraram para lavar pés. Tem uma toalha sobre os ombros. Tem uma cruz nas costas. Tem uma coroa de espinhos sobre a cabeça.
Tem o brado de "Tetelestai" nos lábios.
Tem um túmulo vazio.
Tem um trono eterno.
Seu nome é Jesus Cristo.
Por isso, talvez devêssemos compreender a expressão "Deus te abençoe" de uma maneira ainda mais profunda.
Não apenas como o desejo de que Deus acrescente algo à vida de alguém. Mas como uma oração para que Cristo seja plenamente revelado nessa pessoa. Porque quando Cristo cresce, tudo o que Deus desejou entregar já começou a florescer. No fim, Deus não nos deu simplesmente uma bênção.
Ele nos deu Seu Filho. E quando entregou Seu Filho, entregou o máximo que o céu poderia oferecer. Depois de Cristo, todas as outras bênçãos são apenas ecos da maior de todas elas.
Aleluia
Leonardo Lima Ribeiro

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