quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Por que resistimos à verdade?


Você já se perguntou por que resistimos com todas as nossas forças à verdade?

Mesmo quando dizemos com a boca que queremos a verdade, desejamos a verdade e oramos pela verdade, na maioria das vezes a rejeitamos ou temos dificuldade de lidar com ela quando a entendemos.

Talvez, ao refletir nesses pontos, você possa mudar seu posicionamento, abrir sua mente e seu coração para ser transformado pela verdade e, assim, parar de sofrer com decisões erradas, posicionamentos errados e até mesmo com a forma como você tem enxergado a vida.

Ponto 1 — A verdade não é rejeitada por falta de evidência, mas por excesso de conveniência

As pessoas sabem quando algo é verdade. O problema é que a mentira costuma ser mais confortável, socialmente aceita e menos custosa.

A pergunta é:

Será que muitas das suas decisões, mesmo você sabendo que não são corretas, não são tomadas porque o medo de lidar com a verdade é maior do que o desejo de obedecê-la?

Isso se aplica à fé, ao dinheiro e aos relacionamentos.

Você sabe que aquele relacionamento não é bom para você, que aquela amizade não é saudável, mas insiste porque existe alguma conveniência ali — ou porque aquela pessoa expressa algo que falta em você.

Muitas vezes oramos dizendo: “Senhor, eu quero a verdade. Eu quero andar na verdade. Quero fazer o certo.”

E automaticamente a verdade é colocada diante de nós. Toda vez que você pede a verdade, ela será apresentada. Mas, na maioria das vezes, não queremos lidar com ela.

Por quê?

Porque toda verdade exige que você abandone uma mentira que carregou por muito tempo — uma crença errada, uma convicção distorcida.

Desfazer-se de crenças erradas exige humildade. Você precisa reconhecer que esteve errado durante muito tempo. E uma das coisas mais difíceis para o ser humano é admitir que está errado. Grande parte dos problemas sociais, dos relacionamentos e da estagnação espiritual vem dessa dificuldade:

o homem não consegue reconhecer que errou. Esse é o trabalho do Espírito Santo: quebrar a dureza e o orgulho do homem.

Ponto 2 — A verdade destrói os personagens que criamos para nós mesmos. Muitos não defendem princípios; defendem uma imagem. Quando a verdade expõe o teatro moral, ela se torna ofensa.

Toda vez que você recebe uma verdade, ela desconstrói uma imagem que você criou: uma ideologia, uma filosofia, uma crença, uma visão distorcida da realidade. Muitos acreditam que a verdade é um conceito, um estudo, uma teologia sistemática, uma formulação de ideias.

Mas a verdade é uma pessoa — e essa pessoa tem caráter.

Se você deseja a verdade, a primeira coisa que precisa fazer é desfazer-se de suas convicções relativizadas.

Eu sempre digo: só tenho uma convicção, e absoluta na minha vida — a minha salvação em Cristo. Todas as outras interpretações e conceitos estão sujeitos à transformação, porque não conheço a revelação total da verdade que é Cristo. 

Se a verdade é uma pessoa, nenhuma interpretação humana é absoluta. Nada que é temporal pode resistir à verdade, porque a verdade é eterna. Quando algo se torna obstinação — insistência infrutífera, teimosia endurecida — é sinal de que não estamos na verdade.

A verdade flui. Ela não precisa ser provada. Ela se expõe. Tudo o que precisa ser provado não é a verdade. A maior barreira à verdade: nossa mente

O desejo de Deus é que conheçamos a verdade, e por isso Ele nos deu o Espírito Santo.

Mas a maior barreira ao Espírito Santo é nossa mentalidade, nossa intelectualidade e nossas certezas não fundamentadas. São crenças que não se sustentam, mas mesmo assim defendemos com resistência.

Paulo diz para não resistirmos ao Espírito, mas resistimos por causa: das conveniências, dos personagens que criamos, das convicções humanas.

Isso nos impede de experimentar a vontade perfeita de Deus.

A prova da verdade é o fruto. Se não há fruto, não há verdade. Quando algo não é frutífero, criamos justificativas: “É por causa disso… é por causa daquilo…”

Quando o mais simples seria dizer: “Não sei se estou certo. Vou buscar a Deus. Vou pedir ao Espírito Santo que me revele a verdade.”

Deus é paciente, nós somos resistentes. Paulo orava para que Deus desse espírito de sabedoria e revelação para que os cristãos compreendessem a verdade. Você já imaginou se Deus fosse tão lento em nos responder quanto nós somos lentos em obedecê-Lo?

Para que façamos algo simples, muitas vezes Deus precisa: quebrantar, direcionar, enviar pessoas, permitir circunstâncias...E mesmo assim resistimos. Queremos respostas imediatas de Deus para decisões que nós mesmos tomamos fora da verdade.

Queremos fazer o que queremos, mas com a bênção de Deus sobre nossas próprias escolhas.

E ainda dizemos: “Estou fazendo isso para a glória de Deus.”

A falsa ideia de fazer algo para glorificar Deus

Deus não é glorificado em nós. Deus é glorificado em Cristo. E Cristo revelado em nós glorifica a Deus. A obra de Deus é que creiamos naquele que Ele enviou. Quando cremos, Cristo é revelado em nós. Quando Cristo é revelado em nós, acontece a metanoia.

Metanoia é a substituição da nossa suposta verdade pela verdade absoluta que é a pessoa de Cristo. Quando eu faço algo que não nasce de quem Ele é em mim e digo que é para a glória de Deus, é o meu ego atuando.

A Palavra não diz que nós fazemos para a glória de Deus. Ela diz que Ele faz em nós para a glória dEle. Vem dEle, passa por Ele, Ele opera em nós e volta para Ele. A obra de Deus não é o que nós fazemos para Ele. É o que Ele faz em nós e através de nós.

O que Deus faz no homem?

Ele revela Seu Filho pelo Espírito Santo. Essa é a obra de Deus.

Nós lutamos contra a verdade porque ela destrói: nosso mérito próprio, nosso sistema de performance,  nossa construção de identidade, nossa falsa espiritualidade.

A verdade expõe que tudo é Cristo em nós.

Por isso pedimos a verdade, mas resistimos a ela quando ela se manifesta.

É como se disséssemos: “Me dá um copo de água.”

E quando recebemos, dizemos: “Não, não quero.”

Por quê?

Porque aquilo vai expor. Vai expor mentiras, enganos, sofismas, paradigmas, raciocínios humanos e doutrinas humanas. Vai expor tudo quando você entende que Ele faz a obra e se glorifica em Si mesmo.

"A falsa ideia de fazer algo para a glória de Deus"

Eu escutava muito isso quando comecei na igreja.

Os jovens diziam: “Eu quero fazer medicina para a glória de Deus.”; “Eu quero estudar para a glória de Deus.” Como se Deus fosse glorificado simplesmente pelo fato de alguém fazer medicina. Deus é glorificado quando Cristo é revelado em você enquanto você faz medicina. Deus é glorificado quando Cristo é revelado em você enquanto você está naquele lugar.

Se Deus criou o universo, como Ele será glorificado por algo tão comum e social?

Deus é glorificado quando podemos ver Cristo expresso em você, quando você é transformado, quando Cristo resplandece em você.

A obra de Deus é crer em Cristo

Jesus disse em João 6:29  “A obra de Deus é esta: que vocês creiam naquele que Ele enviou.”

Os discípulos estavam em dúvida sobre isso, e Jesus explicou claramente: A obra de Deus é crer em Cristo. Porque quando cremos em Cristo, o Espírito Santo revela a verdade. É o Espírito Santo quem revela a verdade.

Se o Espírito Santo não revelar a verdade para você, você não será transformado.

Mas nós acreditamos que: nossa argumentação, nossa oratória, nossas palavras bonitas, nosso sermão organizado, podem transformar as pessoas. Se fosse assim, não seria obra do Espírito Santo, seria obra da minha competência, da minha capacidade.

Mesmo dizendo isso há anos, no fundo ainda acreditamos que somos nós que fazemos. Acreditamos que faz diferença o quanto insistimos, o quanto forçamos, o quanto pressionamos as pessoas.

Por que resistimos à verdade?

Porque a verdade quebra coisas dentro de nós.

A verdade revela: que tudo o que fazemos “para Deus” muitas vezes é autoafirmação do ego,  que aquilo que construímos exaltava nosso nome, que acreditávamos ser algo que não somos. 

Mas não queremos saber disso, porque isso joga por terra tudo o que construímos.

Às vezes essa identidade vem: da posição social, da igreja, do ministério, da profissão...

Quem você seria se tudo fosse tirado?

“Quem você seria hoje se te fosse tirado tudo e sobrasse apenas a sua fé?”

Sem casa. Sem carro. Sem reputação. Sem dinheiro. Sem profissão. Sem igreja. Sem ministério. Sem vocação. Sem chamado.

Só Cristo!

Quem você seria?

Hoje a sociedade diz: Você é o que você tem. Você é o que você faz.

Mas a pergunta é: Você é o que você é?

Se tirar tudo o que você tem, quem você continua sendo?

Se perder sua reputação, seu dinheiro e seu prestígio social, você continua sendo quem você é?

Ou você só existe pelo que faz?

“Eu sou médico.”, “Eu sou advogado.”, “Eu sou pastor.”

E se te tirar isso?

Alguns me chamam de pastor, outros de apóstolo, outros de Léo.

Mas quem eu sou?

Qual é a verdade sobre mim?

Essas não são perguntas filosóficas. São perguntas sobre a verdade. A verdade absoluta descasca todas as narrativas. 

A verdade absoluta descasca: todo engano, toda narrativa, toda história que contamos para nós mesmos

Diariamente, no inconsciente, contamos uma historinha mentirosa para nós mesmos — e acreditamos nela.

Depois pegamos uma doutrina, estudamos, nos convencemos, mas não conhecemos a pessoa de Jesus.

Conhecemos: conceitos, explicações, relatos, teologias 

Mas não a pessoa.

É como falar um ano inteiro sobre alguém sem conhecê-lo. Conhecer sobre alguém não é conhecer a pessoa. 

Quando fui a Blumenau, eu assistia Luiz Hermínio havia mais de dez anos. Eu achava que o conhecia. Mas quando cheguei diante dele e falei com ele pessoalmente, o Espírito Santo me revelou algo:

“Você falou dele por anos. Indicou vídeos. Repetiu palavras. Propagou o nome dele. Mas ele não te conhece.”

Então O Espírito Santo me lembrou o texto: “Afasta-te de mim, porque eu não te conheço.”

Nós fazemos o mesmo com Jesus. Falamos de Jesus porque ouvimos alguém falar de Jesus. Lemos a Bíblia para preparar algo para dizer às pessoas. Mas não falamos do que Ele falou conosco.

Falamos de um estudo, não de um relacionamento.

Bibliolatria e não relacionamento

Muitos dizem: “Mas você não citou versículo.”, “Você não abriu a Bíblia.”

Essas pessoas são bibliólatras. Para elas, a Bíblia é Jesus.

Precisam montar um sermão organizado para apresentar Jesus “bonitinho”.

Mas quem conhece Jesus fala Dele como amigo: como alguém que corrige, que repreende, que transforma, que interveio na sua vida. Essa percepção vai além do papel e da tinha, muito além da gramática, a Bíblia é a superfície de um oceano infinito. 

Fiscal da lei ou embaixador?

Quem vive da lei se torna fiscal da vida alheia.

Fiscaliza: o pecado dos outros, o comportamento dos outros, se todo mundo anda certo

Anda com o livro da lei debaixo do braço.

Existe diferença entre: fiscal e embaixador.

O fiscal vem com mandado: “Estou aqui para confiscar.”, “Estou aqui para averiguar, medir, analisar métricas" 

O embaixador representa alguém que conhece.

Quem vive da lei se torna fiscal. Quem vive da verdade se torna embaixador.

Resistimos à verdade porque ela: destrói nossa identidade falsa, desmonta nossa autoafirmação,  revela que não somos o que pensávamos, expõe que só Cristo é a verdade

Pedimos a verdade, mas lutamos contra ela quando ela se manifesta.

Embaixador ou fiscal?

Quem anda na lei se torna fiscal. Quem anda na graça, no caráter de Cristo, se torna representante — alguém que vem fazer exatamente o que Jesus fez.

Jesus disse em Isaías 61:1-2

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres; enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos, e pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor…”

Essa mesma unção está sobre nós.

Não é para condenar. É para libertar. É para salvar. É para perdoar. É para reconciliar.

Jesus, no Novo Testamento, repetiu aquilo que estava em Isaías:

“Fui ungido para…”

Você foi ungido para a mesma coisa. A unção não é para acusar, é para libertar .

Pessoas estão aprisionadas na culpa. Você não vai colocar mais culpa sobre elas.

Você vai dizer: “Jesus já levou sua culpa na cruz.”

Pessoas estão aprisionadas no medo.

Você vai dizer: “Jesus é o amor.”

E o amor lança fora todo medo. 1Jo 4:18

Pessoas estão presas na vergonha e na baixa estima.

Você vai libertar. Você vai tirar o jugo.

Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”                  (Evangelho de Mateus 11:28–30)

Eu posso dizer isso com convicção, porque já vivi o contexto da mentalidade religiosa.

Grande parte das pessoas que pedem socorro hoje estão destruídas: pelo jugo da intelectualidade, pelo jugo da racionalidade, pelo jugo da lei, pelo jugo da religiosidade, Elas não aguentam mais.

Estão morrendo espiritualmente porque acreditaram que o evangelho é uma cartilha de regras.

“Não pode isso.”, “Não pode aquilo.”, “Se fizer isso, é maldito.”, “Se fizer aquilo, é bendito.”

Trouxeram para a vida o modelo de Deuteronômio sem compreender a graça. Nunca vivem a plenitude da graça porque sempre falta alguma coisa para cumprir.

A lista da culpa

Você acorda de manhã e faz a lista: “Isso eu fiz.” “Isso eu fiz.” “Isso eu fiz.” “Isso eu não fiz.”

Resultado: um dia pesado, cheio de culpa.

Por isso nós não queremos a verdade.

Porque a verdade destrói: nossos sistemas, nosso controle, nossa tentativa de controlar a nós mesmos, nossa tentativa de controlar circunstâncias, nossa tentativa de controlar pessoas.

Hoje, muitas vezes, ser pastor virou controlar vidas. Virou governar pessoas, exercer domínio e poder.

Isso é influência do espírito do anticristo.

A Palavra diz:“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.”                          (Evangelho de Mateus 24:12)

Iniquidade aqui é controle, manipulação. O confronto diário com o espírito da religião. Eu lido diariamente com confronto contra o espírito da religião.

As pessoas chegam: ou cativas, ou libertas, mas ainda se recuperando.

Às vezes eu acordo sentindo uma frieza: “Não quero mais saber de gente.”, “Crente é complicado.”, “Crente só dá trabalho.”

Esse é o espírito da religião tentando agir. Porque tudo aquilo que você combate tenta te contaminar.

Se ele me convencer: “As pessoas não valem a pena.”

Ou eu esfrio, ou eu endureço, e começo a colocar jugo sobre elas.

Passo a exigir delas o que nem eu consigo ser. Projeto nelas minhas frustrações. Quero que elas sejam aquilo que eu gostaria de ser. A verdade tira o controle de quem manipula narrativas. Quem vive de discurso seletivo odeia a verdade inteira.

Pega um versículo, bate nele, constrói uma narrativa, mas esconde Jesus.

O discurso se torna: “Vocês têm que…”, “Vocês têm que…”, “Vocês têm que…” Esse “tem que” é o problema.

Por isso a verdade é: atacada, relativizada, silenciada.

O inimigo tenta: confundir, relativizar, intimidar

Para que você não fale. Mas quando você expõe a relação, você expõe a verdade. O evangelho é relação, não sistema. Jesus restaurou nossa condição de filhos.

Nós éramos órfãos. Agora somos filhos.

O evangelho é: reconciliação, relação, restauração. Mas insistimos em transformar o evangelho em sistema:

“Você tem que fazer isso.”, “Você tem que fazer aquilo.”

Cumprir regras sem conhecer Jesus. O evangelho virou pesado porque deixou de ser relacionamento.

Virou cobrança: “Não fiz o suficiente.”, “Falta alguma coisa.”

Mas Jesus disse: “Está feito.” Ou isso significa alguma coisa, ou não significa nada. Não há mais o que fazer. O que precisamos ser é filhos. Expressar a graça

Você expressa a graça quando: reconhece que é incapaz, reconhece que não consegue, reconhece que não tem nada que preste, E mesmo assim Ele coloca sobre você: Seu poder, Sua unção, Sua capacitação

Aí você faz coisas que diz: “Como eu consegui fazer isso se não tenho condições?”

Conhecimento não é maturidade. Hoje eu consigo discernir a maturidade das pessoas pelo que elas falam.Quem se apoia apenas no conhecimento ainda está na alma: mente, emoções, razão, personalidade

Quando a pessoa se apoia no: “Eu sei.”, “Eu estudei.”, “Eu li.”, “Eu faço.”, “Eu tenho.”

Ela ainda está na esfera da alma. A maturidade espiritual não nasce do quanto você sabe, mas do quanto Cristo é revelado em você.

A verdade: destrói nossos sistemas, tira nosso controle, expõe nossas narrativas, nos transforma de fiscais em embaixadores

Por isso resistimos a ela. Porque ela não nos faz juízes. Ela nos faz filhos. A pessoa que rompe esse nível e passa para o nível da maturidade do Espírito não confia mais em nada: não confia no tanto que leu, não confia no que estudou, não confia no dinheiro que tem, não confia em si mesma.

Ela só confia que, se o Espírito Santo fizer, está feito. Se Ele não fizer, não há nada que eu possa fazer. Se Ele não abriu a mente da pessoa, eu não vou abrir à força. Porque o que fazemos muitas vezes é tentar substituir a obra do Espírito por pressão humana: “Se Ele não transformou aquela pessoa presa na pornografia, eu vou pegar pela gola, sacudir, dar um sermão, colocar pressão usando a Bíblia, e então ela vai ser livre por causa da minha pressão.”

Se é assim, então não precisamos de Deus, porque somos nós que estamos fazendo a obra. E ainda damos glória a Deus por algo que fomos nós que fizemos, passando na frente dEle. Deus quer construir o Reino dentro de nós, mas nós queremos construir paredes do lado de fora.

Deus quer formar a igreja em nosso interior, mas nós queremos montar estruturas externas.

Em Atos está escrito que eles perseveravam: na comunhão, na oração, no partir do pão. E Deus acrescentava os que iam sendo salvos. Era Deus quem acrescentava.  Hoje queremos pegar a pessoa pela gola, convencê-la de que é perdida, ameaçá-la com o inferno e ainda criar atrativos na igreja para que ela fique.

Porque, se não dermos algo, ela vai embora.

Mas quem foi realmente convertido? Quem foi transformado por dentro? Quem é alcançado pelo Espírito Santo não depende de: parede, luz, estrutura, entretenimento. Tudo é lícito, mas se isso é o que mantém a pessoa na igreja, então não temos uma igreja — temos um clube de entretenimento.

E precisamos ficar criando atividades para que as pessoas não vão embora.

A primeiras igreja que frequentei em Porto de Galinhas não tinham nada. Nada. Só a Palavra. O louvor era desafinado, cantavam hinos da harpa sem músicos profissionais. Mesmo assim, eu permaneci ali até mudar de cidade. Não porque a igreja era cheia de atrativos, mas porque Deus tinha me alcançado por dentro.

Eu bebia cerveja antes do culto de oração. Eu fumava cigarro antes do culto. Meu líder sabia disso, mas não me confrontava.

Por quê?

Porque ele queria que eu estivesse no culto de oração, onde o Espírito Santo iria me tocar e me transformar. E foi exatamente o que aconteceu. Se ele tivesse me chamado para me acusar e me condenar, eu teria ido embora.

Eu já era ferido, defensivo, cheio de culpa. O Espírito Santo me alcançou sem violência espiritual.

Esse homem simples, sem estudo, que eu mesmo alfabetizei, foi uma das pessoas mais sábias que conheci: o irmão Amaro, apelidado de Amaro da praia, um dos melhores presentes que Deus já me deu. 

Ele dizia: “Eu sabia de tudo, mas eu te mantive no meio de quem orava, porque você queria mudança.”

Hoje percebo: eu também tentei fazer a obra de Deus por mim mesmo. Eu achava que precisava pagar a salvação como uma dívida. Como se a graça não fosse gratuita.

Voltando ao ponto central: nós realmente queremos a verdade?

Ou só queremos nossas próprias ideias sobre Jesus?

A resistência à verdade é um ato de autopreservação espiritual.

Aceitar a verdade exige arrependimento. Exige dizer: “Eu estava errado.” Mas isso fere o ego. Por isso resistimos, a menos que o Espírito Santo nos atropеle.

Conheço pessoas que, durante anos de convivência, nunca disseram: “Eu errei.” Se não têm o Espírito Santo, é compreensível. Mas o que assusta é ver líderes e pastores que nunca se arrependem.

Com Deus, Cristo resolveu nossa culpa. Mas com o irmão, precisamos pedir perdão. Muitos confundem o vertical com o horizontal:

“Deus já me perdoou, então não preciso pedir perdão ao meu irmão.”

Mas você quer ser compreendido sem compreender. Quer ser perdoado sem perdoar. Hoje todo mundo confessa Cristo, porque ser “cristão” é bonito, mas ser “evangélico” é pejorativo.

Dizem: “Sou eu e Deus.”

Mas enquanto estamos na terra, o Corpo de Cristo é feito de pessoas. Relacionamento é parte do Evangelho. Minhas piores experiências foram com crentes, não com ímpios.

Traições, mentiras, injustiças — tudo no meio da igreja.

Por isso muitos dizem: “No mundo eu era melhor tratado do que na igreja.”

O que me manteve? A graça de Deus. A graça é um poder sobrenatural que nos faz fazer o que não conseguimos fazer sozinhos.

Eu não gosto de gente. Mas Deus me capacita a lidar com gente. Meu homem velho era ferido, defensivo, cheio de justificativas. Mas o novo homem foi empoderado pela graça. Se fosse por mim, eu teria desaparecido. Não queria mais lidar com evangélicos. Mas hoje faço isso diariamente.

Então como posso dizer que é capacidade minha?

Não é. É graça. É poder sobrenatural. A vocação como graça sobrenatural. 

Quando Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”                  (Evangelho de Mateus 11:28–30) esse jugo não é peso.

Esse jugo é capacitação, é graça, é poder sobrenatural para fazer aquilo que humanamente não conseguimos fazer.

Eu afirmo com toda certeza: eu não tenho condição de lidar com pessoas. Mas vem uma unção sobre mim, uma capacitação sobrenatural, e eu consigo.

Minha filha diz: “Meu pai é tão paciente.”

Glória a Deus. Ela está vendo Cristo em mim. Cristo é paciente. Cristo tem domínio próprio. Cristo é bondoso. Cristo é misericordioso. Cristo ama. Tudo isso que aparece em mim é Cristo, porque eu sei quem era aquele homem que morreu no batismo.

Ele não tinha essas características.

Quem persegue a verdade diz que está defendendo o amor

A religião diz: “Faço isso em nome de Cristo.”, “É para a glória de Deus.”, “É porque temos que amar.” Mas isso compromete tudo o que foi falado sobre capacitação sobrenatural.

Ninguém ama porque simplesmente ama. Se você ama de verdade, é porque o poder sobrenatural de Cristo te capacitou a amar. Se você manifesta bondade sem saber de onde vem, é porque Cristo te capacitou.

Não há mérito humano nisso. Por isso está escrito: “A obra de Deus é que creiais naquele que Ele enviou.” João 6:29

Quando você crê, Cristo é formado em você. E quando Cristo é formado em você, Ele começa a dar fruto. Esse fruto tem características: amor, bondade, alegria, domínio próprio, longanimidade...

Isso é fruto, não é quem você é por natureza.

Não é você quem faz. Se você está saindo da alma e rompendo no espírito, entenda: você não é capaz de fazer nada sozinho. Tudo o que você faz é capacitação sobrenatural. Quando você fala e alguém entende a Palavra, não é porque você é um bom pregador.

É porque o Espírito Santo abriu o coração da pessoa.

Você pode explicar cem vezes. Se o Espírito Santo não abrir a mente, ela não entende. 

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (1Coríntios 1:18)

Quando você fala de Jesus, alguns dizem: “Cala a boca, você está falando besteira.”

Quando você fala de dízimo por gratidão, dizem: “Ele quer meu dinheiro.”

Porque não há revelação.

Durante a pandemia, ouvi crentes dizendo: “Quero ver como as igrejas vão ficar sem dízimo.”

Essa mente não passou por metanoia. A revelação não vem do intelecto. Você pode ensinar seis meses uma pessoa. No dia da prova, ela não entendeu nada.

Isso acontece para Deus nos mostrar: não é você. Não é grego. Não é hebraico. Não é quantidade de livros. Não é quantas vezes leu a Bíblia.

Tudo isso é vaidade se o Espírito Santo não revelar.

Às vezes você diz: “Bom dia, tudo bem?” E a pessoa começa a chorar.

Não foi você. Foi Deus.

Usando a “insensatez” como Paulo

Paulo disse: “Vou falar como insensato.”

Ele usou os próprios critérios humanos para mostrar que tudo isso não valia nada diante da graça.

Paulo assume falar como insensato

2 Coríntios 11:16 “Recebei-me como insensato; e, ainda que seja como insensato, recebei-me, para que também eu me glorie um pouco.”

2 Coríntios 11:17 “O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas como por loucura, nesta confiança de gloriar-me.”

Eles toleram falsos líderes

2 Coríntios 11:19–20 “Pois suportais de boa mente os insensatos…suportais a quem vos escravize, a quem vos explore, a quem se exalte, a quem vos fira no rosto.”

Paulo se compara aos ‘superapóstolos’

2 Coríntios 11:22–23 “São hebreus? também eu. São israelitas? também eu…São ministros de Cristo? (falo como louco) eu ainda mais…”

Lista de sofrimentos 

2 Coríntios 11:23–27 “Em trabalhos muito mais, em prisões muito mais, em açoites sem medida…três vezes fui açoitado…uma vez apedrejado…em perigos de rios, perigos de salteadores…em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez.”

Peso espiritual pelas igrejas

2 Coríntios 11:28–29 “Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?”

Glória na fraqueza

2 Coríntios 11:30 “Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.”

Humilhação em Damasco

2 Coríntios 11:32–33 “Fui descido num cesto por uma janela do muro e escapei das mãos dele.”

Visões e revelações

2 Coríntios 12:1–4 “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até ao terceiro céu…ouvi palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar.”

O espinho na carne

2 Coríntios 12:7 “Foi-me dado um espinho na carne… para que não me exaltasse.”

2 Coríntios 12:8 “Por causa disso, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.”

A resposta de Deus

2 Coríntios 12:9  “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

Força na fraqueza

2 Coríntios 12:10  “Quando sou fraco, então é que sou forte.”

Paulo mostra que: a verdadeira autoridade cristã não vem de status, mas de dependência da graça, e de fraqueza transformada em poder de Deus. 

Às vezes Deus nos coloca entre pessoas intelectuais para dizer: “Nessa área eu também entendo, mas existe algo maior: a graça de Deus.”

Muitos só se abrem quando: o dinheiro não resolve, a ciência não resolve, o intelecto não resolve,  a influência social não resolve, 

Aí percebem: “Está faltando o Espírito Santo.”

O perigo da vaidade espiritual

Muitos começam dizendo: “Toda glória é para Deus.” Mas por dentro se exaltam.

Todos começamos como bebês espirituais. O problema é permanecer bebê para sempre, escondido atrás de: título, cargo, número de membros, seguidores, influência...

Em vez de se esconder: “Debaixo da poderosa mão de Deus.”

Deus não exalta o vaso, exalta a planta. Deus não quer mostrar você. Ele quer mostrar Cristo em você.

Você é o vaso. Cristo é a planta. Se Deus quisesse mostrar o vaso, não precisava colocar a planta dentro.

O nome que será exaltado é o nome de Cristo, não o seu.

Hoje existem fãs de pastores: “Pastor tal é meu ídolo.”

Isso é idolatria.

João Batista e o ciúme espiritual

João Batista apontou Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus.”

Mas depois, preso, começou a duvidar: “Será que Ele é mesmo?”

Ainda tinha discípulos. Não entregou todos a Jesus.

Isso revela um conflito humano: ou é Jesus, ou sou eu.

A função do pastor é: Apontar Jesus, e depois sair da frente. O desejo humano por adoração. O ser humano caído deseja ser adorado. Assim como Satanás.

Deus nunca deu ao homem a capacidade de carregar adoração.

Quando alguém começa a receber adoração, cai: em vaidade, em adultério, em soberba, em escândalo.

Muitos que caem dizem depois: “Eu comecei a achar que era eu que fazia.”

Os que se arrependem são restaurados. Os que se justificam permanecem caídos.

Amor usado como desculpa para rejeitar a verdade. O amor virou desculpa para tolerar tudo, menos a abertura do coração para receber e lidar com a verdade. 

Quando a verdade é dita, dizem: “Você não está amando.”

Mas quando a verdade expõe algo que a pessoa não quer largar, ela rejeita a verdade.

Isso é autopreservação espiritual.

Cristo precisa ser revelado em nós. Não apenas falado. Não apenas explicado.

Porque: Gálatas 2:20 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”

Se isso não for revelação profunda, o ego ainda governa.

Deus vos abençoe

Leonardo Lima Ribeiro 

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