1. O chamado que nasceu em um sonho
Algumas viagens começam com uma passagem comprada. Outras começam com um sonho.
Em janeiro de 2015, enquanto estava hospedado na casa de uma líder da Igreja Presbiteriana da qual fazíamos parte, ouvi claramente em meu espírito um destino: Grua, Noruega.
Naquele momento, eu não sabia onde ficava, quem morava lá, nem o que Deus faria naquele lugar. Sabia apenas que aquele nome não vinha da imaginação, mas do Espírito Santo.
Guardamos esse chamado por anos, até que no dia 15 de novembro partimos do Brasil rumo a Estocolmo, na Suécia. O propósito inicial era simples: visitar uma amiga em comunhão e, a partir dali, seguir até a Noruega, obedecendo à direção recebida no sonho.
Não tínhamos um plano completo. Tínhamos apenas: uma passagem aérea, uma promessa, e um Deus que guia pela fé.
2. A provisão no caminho
Desde o primeiro passo, aprendemos que a obediência ativa a provisão.
Denis, Rafaela e sua mãe Miriam, em Estocolmo, foram instrumentos do cuidado de Deus. Cada detalhe da viagem parecia se alinhar de forma sobrenatural: pessoas surgiam no caminho, portas se abriam, recursos apareciam no tempo certo.
Não era apenas uma viagem geográfica. Era uma jornada espiritual.
Na Suécia, antes mesmo de chegarmos à Noruega, o Senhor começou a confirmar que aquele chamado não era apenas para um lugar, mas para pessoas.
Em uma noite, duas amigas de nossa anfitriã vieram jantar conosco. Durante a conversa, uma delas disse emocionada que havia sonhado conosco na noite anterior, e que no sonho nós trazíamos algo que ela precisava receber.
Assim como em Atos dos Apóstolos, quando Deus alinhava sonhos e encontros (Atos 10 e 16), compreendemos que aquele encontro era divino. Pregamos o Evangelho ali, e naquela noite ela confessou Jesus como Senhor.
Outro sinal veio de forma simples, porém profunda. Em um passeio ao shopping, Sara viu uma joia em uma vitrine. Era linda, mas não tínhamos condições de comprar. Apenas seguimos.
Dias depois, outra amiga de nossa anfitriã nos visitou — uma médica, filha do embaixador do Congo. Durante a conversa, ela começou a chorar e, sem que pedíssemos nada, retirou seus brincos, bracelete e colar de pérolas e os entregou a Sara, dizendo:
— Deus mandou eu te dar isso.
Na mesma ocasião, orei por uma amiga que sofria de dores nas costas, e ela foi curada.
A Suécia se tornou para nós um capítulo vivo de Atos: conversão, cura, provisão e direção do Espírito Santo. Deus estava nos dizendo silenciosamente:
“Eu estou indo à frente de vocês.”
3. Quando Deus constrói o caminho invisível
Chegamos a Oslo sem saber exatamente como alcançar Grua. Foi então que o Senhor nos conectou com Mozhdeh, uma cristã iraniana que vivia na cidade.
Ela não apenas nos recebeu — nos entregou a chave de seu apartamento, deixou frutas, comida, chocolates, senha de Wi-Fi e se mudou temporariamente para a casa de uma amiga para que tivéssemos liberdade.
Por meio dela conhecemos um missionário iraniano e um ex-mujahideen convertido, que nos conduziu pessoalmente de Oslo até Grua.
O caminho físico refletia nosso caminho interior: desconhecido, desafiador, com momentos de medo e insegurança, mas sustentado pela fé.
Milagres de provisão aconteciam continuamente. Pessoas nos davam dinheiro nos lugares por onde passávamos. Nada havia sido planejado, mas tudo havia sido preparado.
4. A cidade que orava por alguém que não conhecia
Quando finalmente chegamos a Grua, compreendemos por que havíamos sido enviados.
Havia ali uma mulher que orava havia anos para que Deus enviasse alguém àquela cidade. Ela clamava para que Grua voltasse a conhecer Jesus não como religião, mas como Salvador vivo.
Nós não sabíamos disso. Ela não nos conhecia. Mas Deus conhecia ambos.
Enquanto caminhávamos pela cidade orando, entramos em um café com o pastor da igreja luterana local, que havia acabado de realizar o funeral de uma senhora de 99 anos. A mulher que nos servia café ouviu nossa história e caiu em prantos.
Ela disse que sua mãe orava há anos pedindo que Deus enviasse alguém como sinal. Ligou para ela imediatamente e nos levou até sua casa.
Ali tivemos um tempo de glória, manifestação do Espírito Santo, testemunhos, lágrimas e gratidão. Sentimos que algo novo estava sendo plantado naquela terra.
O amor do Pai nos levou do Brasil até a Noruega por causa da oração de uma mulher desconhecida.
5. Quando Deus conecta destinos
Por meio de Peter Dahlen, fomos direcionados a procurar Hans Petter, um missionário norueguês que vivia em uma ilha próxima a Alesund. Após anos de conversa, hoje ele é nosso pastor e parceiro ministerial.
Naquela casa entendemos que Deus não envia pessoas ao acaso. Ele conecta histórias.
Uma mulher que orava. Missionários que serviam. Estrangeiros que obedeceram. Um sonho antigo. Uma cidade esquecida.
Tudo convergiu em um único ponto: a fidelidade de Deus.
Grua não era apenas um destino geográfico. Era um altar levantado pela intercessão.
6. Gratidão e continuidade do chamado
Jesus seja louvado por cada pessoa que participou conosco: em fé, em oração, em ofertas e encorajamento.
Sou grato ao ministério do qual fazia parte e ao meu pai na fé, Pr. Célio Rosa, que creu, enviou e sustentou espiritualmente essa jornada.
Missão nunca é individual. Ela é sempre corpo.
Seguimos em oração pelos próximos destinos. Em breve, o Senhor nos levará a outras nações.
Porque quem aprende a obedecer pequenos chamados, passa a confiar nos grandes.
Essa viagem nos ensinou algo que jamais esqueceremos:
Deus não move pessoas por acaso. Ele responde orações feitas em segredo.
Às vezes, você é a resposta. Às vezes, você é quem orou.
Mas sempre, Deus é fiel.
Uma mulher orou. Nós viajamos. E Deus foi glorificado.
“Antes que clamem, eu responderei.” (Isaías 65:24)
Em 2018, retornamos à Noruega.
Não como turistas, mas como peregrinos que já haviam sido marcados por aquela terra.
Naquele ano, estávamos em missão na Alemanha. A partir dali, o Senhor abriu portas para que também fôssemos à Albânia, onde tivemos a oportunidade de ministrar aulas, e depois para Innsbruck, na Áustria, onde permanecemos três dias inteiros dedicados à oração e consagração.
Cada país não era apenas um destino. Era um altar.
A viagem até a Noruega aconteceu como parte desse mesmo movimento espiritual. Já não íamos apenas obedecer a um sonho antigo, mas aprofundar uma aliança que havia nascido anos antes em Grua.
Dessa vez, permanecemos quinze dias na casa de Hans Petter. Não éramos mais apenas visitantes. Éramos família espiritual.
Naqueles dias, oramos juntos, compartilhamos visões, falamos sobre o Reino, sobre missões e sobre o que Deus estava construindo entre as nações. O Senhor estava costurando algo que não se limitava a uma viagem: estava formando um vínculo apostólico.
Em 2019, esse laço se fortaleceu ainda mais quando Hans Petter veio ao Brasil, enquanto eu ainda morava em Pernambuco.
Tive a alegria de levá-lo a uma conferência do ministério do qual eu fazia parte, no estado do Mato Grosso. Ali, testemunhamos algo precioso: culturas diferentes, histórias diferentes, mas o mesmo Espírito.
Era como ver Atos dos Apóstolos acontecendo diante dos nossos olhos — judeus, gregos e estrangeiros unidos por um mesmo chamado.
Em 2020, esse relacionamento deu um novo passo quando meu filho foi para a Noruega e permaneceu oito meses na casa de Hans Petter. Aquilo que havia começado como uma visita missionária tornou-se convivência, discipulado e família.
A partir desse tempo, nossos laços se firmaram de maneira definitiva. Hoje fazemos parte do mesmo ministério. Não apenas cooperadores, mas participantes de uma mesma visão.
Foi por meio dessa conexão que fui ativado com mais clareza no meu chamado apostólico.
Percebi que Deus não estava apenas me enviando a lugares.
Ele estava me conectando a pessoas.
Porque no Reino, o chamado não amadurece no isolamento, mas na comunhão.
O sonho que começou em 2015 encontrou forma, estrutura e direção nos anos seguintes. O que era apenas uma palavra recebida em oração tornou-se uma jornada viva, construída passo a passo, relacionamento por relacionamento, altar por altar.
Assim, aprendi que Deus não revela tudo de uma vez. Ele revela enquanto caminhamos.
E cada retorno à Noruega não foi repetição — foi aprofundamento.
O chamado não terminou em Grua.
Ele começou ali.
Deus vos abençoe
Leonardo Lima Ribeiro
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Glória a Deus 🙏
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