sábado, 25 de julho de 2026

A honra que mata o homem e revela Cristo


Há uma diferença entre aquilo que Deus nos dá e aquilo que Deus deseja formar em nós.

A maioria dos cristãos passa a vida buscando dons, unção, crescimento ministerial, influência, recursos financeiros e reconhecimento. Tudo isso pode fazer parte dos planos de Deus, mas nunca será Seu objetivo principal. O maior projeto do Pai nunca foi construir um ministério através de você. Sempre foi formar Seu Filho dentro de você.

Essa é a razão pela qual Deus trabalha muito mais em nosso interior do que em nossas circunstâncias.

Enquanto pedimos para que Ele mude o ambiente, Ele está mudando o coração.

Enquanto pedimos que remova gigantes, Ele está removendo o orgulho.

Enquanto clamamos por portas abertas, Ele está fechando aquelas pelas quais nosso ego gostaria de entrar.

Deus nunca desperdiça um processo.

Cada espera, cada humilhação, cada rejeição, cada aparente atraso possui um propósito invisível: matar aquilo que compete com Cristo dentro de nós.

Deus nunca quis apenas fazer Davi rei

Quando Samuel derramou o azeite sobre Davi, parecia que tudo estava resolvido. Mas Deus não levou Davi imediatamente ao trono. Ele o levou de volta às ovelhas. Isso parece um atraso. Na verdade, era misericórdia. Se Davi tivesse recebido o reino naquele momento, talvez governasse Israel, mas nunca venceria a si mesmo.

Existe uma verdade que poucos compreendem: O homem que recebe uma posição antes de morrer para si transforma seu chamado em um instrumento para alimentar sua própria identidade.

É exatamente isso que vemos acontecer tantas vezes. Pessoas usam o Reino para preencher vazios emocionais. Usam o púlpito para receber aplausos. Usam a liderança para controlar pessoas. Usam a espiritualidade para esconder inseguranças. Exteriormente tudo parece santo. Interiormente ainda existe um homem querendo ser reconhecido.

Por isso Deus demora. Sua demora não é rejeição. É tratamento.

O maior inimigo nunca foi Golias

Todos lembram da pedra. Poucos lembram das ovelhas. Todos lembram da vitória. Poucos lembram dos anos escondidos. Golias nunca foi o verdadeiro gigante.

O gigante era o próprio ego. Golias caiu em poucos minutos. O ego leva anos para morrer.

Deus sabia que seria muito mais fácil ensinar Davi a lançar uma pedra do que ensiná-lo a não lançar uma lança contra Saul. A verdadeira vitória não aconteceu quando Golias caiu. A verdadeira vitória aconteceu quando Davi abaixou a espada.

Na caverna, ninguém veria Davi matar Saul.

Ninguém o julgaria. Todos ao seu redor diziam que Deus estava entregando o reino. Mas Deus não estava entregando um rei. Estava revelando um filho. Há portas que Deus abre. Há portas que Deus apenas permite para revelar aquilo que ainda vive dentro de nós.

Nem toda oportunidade vem de Deus. Algumas apenas revelam se já estamos prontos para aquilo que pedimos.

Deus mata nossas motivações antes de cumprir nossas promessas

Existe algo extremamente perigoso na vida espiritual. Conseguimos esconder nossos desejos atrás de palavras religiosas. Chamamos ambição de visão. Chamamos orgulho de autoridade. Chamamos controle de zelo. Chamamos vaidade de excelência. Chamamos autopromoção de expansão do Reino.

Mas Deus não observa apenas aquilo que fazemos. Ele observa por que fazemos. É possível construir algo enorme para Deus e, ao mesmo tempo, estar edificando um monumento para si mesmo. É exatamente isso que Deus destrói.

O Espírito Santo trabalha primeiro nas intenções. Ele expõe aquilo que nem nós mesmos conseguimos perceber. Ele permite esperas que frustram nosso ego. Permite rejeições que quebram nossa necessidade de aprovação. Permite perdas que revelam onde realmente estava nossa segurança.

Não porque deseja nos destruir. Mas porque deseja destruir tudo aquilo que impede Cristo de aparecer.

A cruz nunca foi apenas um lugar

Jesus não morreu apenas para nos salvar.

Ele também revelou o caminho que cada discípulo deveria seguir.

A cruz não é somente um evento histórico. É um estilo de vida. Cada vez que escolhemos obedecer quando gostaríamos de controlar, estamos carregando a cruz. Cada vez que abrimos mão da razão para preservar o amor, estamos carregando a cruz. Cada vez que deixamos Deus receber a glória que gostaríamos de receber, estamos carregando a cruz.

A cruz sempre mata alguma coisa.

Mas tudo aquilo que ela mata precisava morrer.

O Reino não cresce quando eu cresço

João Batista declarou: "É necessário que Ele cresça e que eu diminua."

Esse talvez seja o versículo menos desejado pela geração atual. Vivemos uma época onde todos querem crescer. Crescer seguidores. Crescer influência. Crescer patrimônio. Crescer reconhecimento.

Entretanto, no Reino de Deus, crescimento verdadeiro não acontece quando nosso nome aumenta.

Acontece quando nossa necessidade de sermos lembrados diminui.

O céu não procura pessoas importantes. Procura pessoas transparentes. Homens e mulheres através dos quais Cristo possa ser visto.

O maior milagre é desaparecer

Existe um dia em que Deus responde às nossas orações.

Existe outro dia em que Deus responde ao Seu próprio propósito.

No primeiro, Ele nos entrega coisas.

No segundo, Ele tira de nós aquilo que nunca deveria permanecer.

Nossa independência. Nossa autossuficiência. Nossa necessidade de controle. Nossa busca por reconhecimento. Nossa identidade construída sobre aquilo que fazemos. Somente então Cristo começa a ocupar todos os espaços.

O verdadeiro discípulo deixa de perguntar: "Como posso crescer?"

E começa a perguntar: "Quanto de mim ainda precisa morrer para que Cristo seja revelado?"

Essa é a honra que transforma. A honra não consiste apenas em respeitar autoridades. Ela consiste em honrar tanto o propósito de Deus que aceitamos morrer para qualquer motivação que não seja Cristo.

No fim, Davi não recebeu apenas um reino. Recebeu um coração segundo o coração de Deus. Jesus não recebeu apenas um Nome acima de todo nome. Recebeu filhos que continuariam Sua obra. E nós não fomos chamados apenas para servir a Deus. Fomos chamados para permitir que Deus remova tudo aquilo que tem a nossa aparência, para que reste apenas Cristo.

Quando isso acontece, deixamos de construir um império com linguagem cristã.

Deixamos de usar Deus para realizar nossos sonhos.

Deixamos de buscar uma posição. Passamos a buscar uma Pessoa. E então entendemos que a maior recompensa da honra nunca foi um trono. Sempre foi parecer com o Filho. Porque Deus não está levantando homens famosos para o Reino. Está formando filhos nos quais o mundo possa enxergar Jesus.

Deus abençoe sua vida com clareza de entendimento 

Leonardo Lima Ribeiro 

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