domingo, 9 de março de 2025

O real significado da honra


A palavra honra no Antigo e Novo Testamento tem significados profundos e variados, mas, em geral, envolve respeito, valor e obediência.

No Antigo Testamento (Hebraico)

A palavra principal usada para "honra" é "kabod" (כָּבוֹד), que significa:

Peso, glória, valor → Algo pesado no sentido de importância e dignidade.

Respeito e reverência → Como em Êxodo 20:12, onde Deus ordena:

“Honra teu pai e tua mãe...”

Kabod também é usada para descrever a glória de Deus, indicando Sua majestade e presença divina (Salmo 19:1).

No Novo Testamento (Grego)

A palavra principal é "timē" (τιμή), que significa:

Valor, estima, respeito → Como em 1 Pedro 2:17:

“Tratai a todos com honra, amai os irmãos...”

Recompensa e reconhecimento → Como em 1 Timóteo 5:17, onde se fala da honra dada aos líderes da igreja.

No contexto bíblico, honrar significa reconhecer o valor de Deus, das pessoas e das autoridades, demonstrando respeito e obediência.

A Bíblia mostra diversas situações em que pessoas foram beneficiadas por terem atitudes de honra. Aqui estão alguns exemplos:

1. Rute foi abençoada por honrar sua sogra (Rute 1–4)

Rute 1:16-17 – "Para onde fores, irei eu, e onde pousares, ali pousarei; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus."

Rute honrou Noemi, sua sogra, permanecendo com ela e cuidando dela. Como resultado, Deus a honrou, e ela se casou com Boaz, tornando-se parte da linhagem de Jesus.

2. O rei Salomão foi abençoado por honrar Deus (1 Reis 3:3-14)

1 Reis 3:9-12 – "Dá, pois, ao teu servo coração entendido para julgar o teu povo."

Salomão honrou a Deus pedindo sabedoria em vez de riquezas. Como recompensa, Deus lhe deu sabedoria, riquezas e honra como nenhum outro rei.

3. A Sunamita recebeu um milagre por honrar o profeta Eliseu (2 Reis 4:8-17)

2 Reis 4:9-10 – "Tenho observado que este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus."

Ela construiu um quarto para Eliseu, reconhecendo sua autoridade como profeta. Como resultado, Deus a abençoou com um filho, mesmo sendo estéril.

4. Ester foi exaltada por honrar seu povo (Ester 4–8)

Ester 4:16 – "Se perecer, pereci."

Ester arriscou sua vida para interceder pelo povo judeu diante do rei. Deus a honrou, e ela conseguiu reverter o decreto de morte contra seu povo.

5. O servo centurião teve seu pedido atendido por honrar Jesus (Mateus 8:5-13)

Mateus 8:8 – "Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar."

Ele reconheceu a autoridade de Jesus, e sua fé e honra foram recompensadas com a cura do seu servo.

6. Jesus foi exaltado por honrar o Pai (Filipenses 2:5-11)

Filipenses 2:9 – "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome."

Jesus honrou a vontade do Pai, tornando-se obediente até a morte na cruz. Como resultado, foi exaltado e recebeu o nome acima de todo nome.

Esses exemplos mostram que a honra gera recompensa. Seja honrando pais, autoridades, profetas ou a Deus, a Bíblia ensina que quem age com honra é exaltado e abençoado. 

A Bíblia também nos mostra diversas situações em que pessoas foram prejudicadas por não terem atitudes de honra. Aqui estão alguns exemplos:

1. Caim foi amaldiçoado por não honrar a Deus (Gênesis 4:3-12)

Gênesis 4:5-7 – "Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta."

Caim trouxe uma oferta qualquer a Deus, enquanto Abel ofereceu o melhor. Deus aceitou a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim. Por não honrar a Deus e deixar a inveja dominar seu coração, ele matou seu irmão e foi amaldiçoado.

2. Cam foi amaldiçoado por desonrar seu pai Noé (Gênesis 9:20-27)

Gênesis 9:22-25 – "Quando Noé despertou do seu vinho e soube o que o filho mais moço lhe fizera, disse: Maldito seja Canaã!"

Cam viu a nudez de seu pai, Noé, e zombou dele em vez de respeitá-lo. Seus irmãos, Sem e Jafé, cobriram Noé com honra. Como consequência, Cam foi amaldiçoado, e sua descendência sofreu as consequências.

3. Os filhos de Eli morreram por desonrar a Deus (1 Samuel 2:12-34)

1 Samuel 2:17 – "Era, pois, muito grande o pecado desses moços perante o Senhor, porque desprezavam a oferta do Senhor."

Hofni e Finéias, filhos do sacerdote Eli, desonraram a Deus roubando ofertas e se comportando de forma imoral. Como consequência, Deus os rejeitou, e ambos morreram no mesmo dia.

4. Mical foi estéril por zombar de Davi (2 Samuel 6:16-23)

2 Samuel 6:16 – "Mical, filha de Saul, olhou pela janela; e, vendo o rei Davi dançando e saltando perante o Senhor, o desprezou no seu coração."

Mical ridicularizou Davi por dançar diante de Deus. Como resultado, ela foi amaldiçoada e nunca teve filhos.

5. Uzias ficou leproso por não respeitar a ordem de Deus (2 Crônicas 26:16-21)

2 Crônicas 26:16 – "Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína e transgrediu contra o Senhor."

O rei Uzias tentou queimar incenso no templo, algo que apenas os sacerdotes podiam fazer. Por não respeitar a ordem de Deus, foi ferido com lepra e viveu isolado até sua morte.

6. Judas perdeu tudo por desonrar Jesus (Mateus 26:14-16; 27:3-5)

Mateus 26:15 – "Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei?"

Judas traiu Jesus por 30 moedas de prata. Depois, ao perceber seu erro, sentiu remorso, mas não se arrependeu verdadeiramente. Ele acabou tirando a própria vida.

Esses exemplos mostram que a desonra traz consequências sérias. Quando as pessoas desrespeitam Deus, pais, líderes ou princípios divinos, sofrem perdas e até destruição. A honra protege, mas a desonra traz ruína.

A honra pode ser considerada um traço de caráter, pois está relacionada à integridade, respeito e moralidade. O caráter de uma pessoa é definido por seus princípios e atitudes, e a honra reflete um compromisso com valores corretos.

Prova Bíblica de que a Honra é um Caráter

Honra vem do coração e reflete quem a pessoa é

Provérbios 22:1 – "Mais vale o bom nome do que muitas riquezas; e ser estimado é melhor do que a prata e o ouro."

Isso mostra que a honra está ligada à reputação e à integridade, características de um bom caráter.

Pessoas íntegras agem com honra

Provérbios 11:3 – "A integridade dos retos os guiará, mas a perversidade dos desleais os destruirá."

A honra faz parte do caráter de quem age com integridade, enquanto os desonestos sofrem as consequências.

O caráter de Jesus incluía a honra

João 8:49 – "Respondeu Jesus: Eu não tenho demônio; antes honro a meu Pai, e vós me desonrais."

Jesus demonstrou um caráter de honra ao sempre respeitar e obedecer ao Pai.

Quem tem caráter de honra recebe recompensa

Provérbios 3:9-10 – "Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda, e os teus celeiros se encherão abundantemente."

Honrar a Deus reflete um coração fiel e resulta em bênçãos.

A honra não é apenas uma ação, mas um reflexo do caráter da pessoa. Quem vive com honra demonstra valores como respeito, fidelidade e integridade, características fundamentais de um bom caráter.

A honra e a bajulação podem parecer semelhantes em algumas situações, mas são completamente diferentes em essência e motivação.

Diferença Principal

Honra é sincera, baseada em respeito e reconhecimento genuíno.

Bajulação é falsa, manipuladora e visa obter vantagens pessoais.

1. Honra vem do coração; bajulação é interesseira

Romanos 12:10 – "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros."

A honra nasce de um coração verdadeiro que reconhece o valor das pessoas.

A bajulação busca agradar os outros apenas para obter algo em troca.

2. Honra exalta a verdade; bajulação usa mentiras

Provérbios 26:28 – "A língua falsa odeia os que oprime, e a boca lisonjeira conduz à ruína."

Quem honra fala a verdade com amor, mesmo que seja difícil.

O bajulador mente para agradar e manipular.

3. Honra é justa; bajulação é enganosa

Provérbios 29:5 – "O homem que lisonjeia ao seu próximo arma-lhe uma rede para os passos."

Honrar é reconhecer mérito e valor de forma justa.

Bajular é inflar o ego dos outros com segundas intenções.

4. Honra vem da humildade; bajulação vem do orgulho

Mateus 23:12 – "Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado."

A honra nasce da humildade, reconhecendo o valor dos outros.

A bajulação busca manipular e se exaltar.

A honra vem de Deus e gera recompensas.

A bajulação vem da falsidade e leva à destruição.

Se queremos agradar a Deus, devemos praticar a honra verdadeira e evitar qualquer tipo de bajulação enganosa. 

Existe uma situação muito difícil de lidar, quando somos sujeitos a instruções de autoridades que ultrapassam os limites das verdades bíblicas, ou seja, quebram os princípios daquilo que acreditamos. Nesse caso o que devemos fazer?

Discordar de instruções absurdas sem ser desonroso exige sabedoria, respeito e firmeza. Aqui estão algumas estratégias baseadas na Bíblia e na boa comunicação:

Seja Respeitoso, Mesmo ao Discordar

1 Pedro 3:15 – "Antes, santificai a Cristo como Senhor em vosso coração, estando sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós."

Fale com calma e respeito, evitando tons agressivos ou desrespeitosos.

Use a Verdade com Sabedoria

Provérbios 15:1 – "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira."

Em vez de confrontar diretamente com dureza, argumente com lógica e paciência.

Apresente uma Alternativa Melhor

Daniel 1:8-14 – Daniel não quis se contaminar com a comida do rei, mas em vez de simplesmente recusar, ele propôs um teste com outra alimentação.

Se uma ordem parece errada, sugira uma solução alternativa que seja mais ética e eficaz.

Seja Firme, Mas com Humildade

Atos 5:29 – "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens."

Se a instrução vai contra princípios morais ou bíblicos, recuse com firmeza, mas sem arrogância.

Use Perguntas em Vez de Ataques

Em vez de dizer: "Isso não faz sentido, não vou fazer!"

"Você pode me ajudar a entender melhor essa decisão? Existe uma maneira diferente de resolver isso?"

Isso ajuda a abrir um diálogo em vez de criar confronto.

Você pode discordar sem ser desonroso ao:

Manter um tom respeitoso

Falar a verdade com mansidão

Oferecer soluções alternativas

Priorizar a obediência a Deus, mas com humildade

Dessa forma, você se posiciona com honra e sabedoria, sem comprometer seus valores.

A honra nos faz vencedores porque ela atrai o favor de Deus e das pessoas, abre portas e nos protege de consequências negativas. A Bíblia mostra que aqueles que viveram com honra foram exaltados, protegidos e abençoados.

1. Deus exalta os que honram

1 Samuel 2:30 – "Aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos."

Quando escolhemos honrar a Deus e aos outros, Ele nos eleva e nos faz vencer.

José honrou a Deus ao fugir do pecado (Gênesis 39). Resultado? Foi de escravo a governador do Egito!

2. A honra nos dá longevidade e bênçãos

Êxodo 20:12 – "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá."

Honrar traz vida longa e prosperidade.

Rute honrou Noemi, e Deus a recompensou com um novo casamento e uma descendência abençoada.

3. Honrar nos protege da derrota

Provérbios 29:23 – "A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra."

Quem honra, age com humildade e evita a queda.

Saul desonrou Deus, e perdeu seu trono (1 Samuel 15).

Davi honrou Saul, mesmo sendo perseguido, e Deus o fez rei (1 Samuel 24).

A honra nos faz vencedores porque:

Atrai o favor de Deus e dos homens

Nos dá promoção e crescimento

Nos protege de derrotas e quedas

Se queremos vencer na vida, a honra deve ser um princípio inegociável!

A vida de pessoas desonrosas é marcada por dificuldades, perda de oportunidades e, muitas vezes, destruição. A Bíblia mostra que aqueles que vivem sem honra enfrentam vergonha, fracasso e consequências dolorosas.

1. São rejeitadas e perdem oportunidades

Provérbios 22:1"Mais vale o bom nome do que muitas riquezas."
A desonra destrói a reputação e fecha portas.

Esaú desonrou sua primogenitura vendendo-a por um prato de comida (Gênesis 25:29-34). Resultado? Perdeu a bênção e se arrependeu tarde demais.

2. Sofrem consequências ruins

Gálatas 6:7"Tudo o que o homem semear, isso também ceifará."
Quem semeia desonra colhe vergonha e ruína.

Os filhos de Eli, Hofni e Finéias, desonraram a Deus roubando ofertas e sendo imorais (1 Samuel 2:12-34). Resultado? Morreram no mesmo dia e sua família perdeu o sacerdócio.

3. Não são respeitadas nem confiáveis

Provérbios 10:7"A memória do justo será abençoada, mas o nome dos ímpios apodrecerá."
Pessoas desonrosas perdem credibilidade e são esquecidas.

Judas desonrou Jesus, traindo-o por 30 moedas (Mateus 26:14-16). Resultado? Perdeu tudo e morreu de forma trágica.

4. Vivem sem paz e sem propósito

Isaías 57:20-21"Mas os ímpios são como o mar agitado, que não se pode aquietar [...]. Para os ímpios, diz o meu Deus, não há paz."
Quem desonra vive em conflitos e sem direção na vida.

Saul desonrou a Deus e perdeu a unção, tornando-se um rei atormentado (1 Samuel 16:14).

A vida de uma pessoa desonrosa é:

Cheia de portas fechadas
Marcada por perdas e fracassos
Sem paz e sem propósito

Se queremos uma vida abençoada e vitoriosa, devemos andar em honra, pois a desonra sempre leva à queda! 

A altivez e a honra não andam juntas, porque a honra vem da humildade, enquanto a altivez vem do orgulho.

O que a Bíblia diz?

Provérbios 18:12 – "Antes da ruína, eleva-se o coração do homem; e, antes da honra, vai a humildade."

Para receber honra, a pessoa precisa ser humilde.

A altivez leva à ruína.

Provérbios 16:18 – "A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda."

Quem é altivo acaba fracassando.

Exemplo de alguém altivo que perdeu tudo:

Nabucodonosor se exaltou e disse que todo seu império era mérito próprio (Daniel 4:30-37). Resultado? Deus o humilhou, e ele viveu como um animal até reconhecer que Deus era soberano.

Exemplo de alguém honroso e humilde:

Moisés foi chamado de o homem mais humilde da terra (Números 12:3). Resultado? Ele foi usado poderosamente por Deus para libertar Israel.

Não é possível ser altivo e honroso ao mesmo tempo, porque:

A honra vem da humildade.

A altivez leva à destruição.

Se queremos ser honrados por Deus e pelos homens, precisamos viver com humildade e respeito! 

O fato de talvez você não concordar com o princípio da honra pode mudar a maneira como você vê o mundo e como se relaciona com os outros, mas não altera a verdade sobre o princípio em si. A honra é um princípio que está enraizado em valores universais como respeito, dignidade e integridade, que são reconhecidos e valorizados em muitas culturas e sistemas de crenças, incluindo a Bíblia.

O que a Bíblia diz sobre a honra, mesmo se não concordarmos?

A honra é uma ordenança de Deus

Efésios 6:2 – "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa."

Mesmo que alguém não concorde com o princípio de honra, isso não muda o fato de que é uma ordem de Deus, com promessas de bênção para quem a segue.

A honra traz benefícios, independentemente da nossa opinião sobre ela

Provérbios 3:9-10 – "Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda, e os teus celeiros se encherão abundantemente."

A honra a Deus e aos outros não depende de concordarmos ou não, ela traz frutos de bênção e prosperidade, pois é um princípio divino.

Desonrar pode trazer consequências negativas

Provérbios 29:23 – "A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra."

Ignorar ou desconsiderar o princípio de honra pode resultar em quedas ou consequências ruins. Isso não muda porque a honra está ligada a valores que promovem a harmonia e o bem-estar.

Mesmo que você não concorde com o princípio da honra, a prática da honra continua a ter efeitos poderosos em sua vida e nas relações. A desonra pode levar à destruição, enquanto a honra sempre será um princípio que traz vida e bênção.

Você pode escolher ignorar, mas isso não vai alterar os resultados que a honra traz. A sabedoria está em entender e aplicar esse princípio, seja pela fé, pela experiência ou pela observação dos resultados na vida dos outros.

A honra financeira é a prática de demonstrar respeito e responsabilidade em relação aos recursos financeiros, tanto no que diz respeito ao uso do dinheiro pessoal quanto ao compromisso com os outros e com Deus. Ela é aplicada de várias maneiras na vida cotidiana e, na perspectiva bíblica, está profundamente ligada a princípios de generosidade, honestidade e responsabilidade.

Como é aplicada a honra financeira na Bíblia?

Honrar a Deus com nossos recursos

Provérbios 3:9-10 – "Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda, e os teus celeiros se encherão abundantemente."

Aqui, a honra financeira começa com a obediência a Deus, reconhecendo que tudo o que temos vem Dele. Oferecer ao Senhor as nossas primícias (ou o melhor do que temos) é um ato de honra.

Aplicação: Contribuir com generosidade para a obra de Deus (dízimos, ofertas, ajuda aos necessitados) e fazer um uso responsável do dinheiro.

Honrar os outros financeiramente, sendo justo e transparente

Levítico 19:13 – "Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. O salário do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã."

Honrar financeiramente é agir com justiça no relacionamento com os outros, pagando os que trabalham para nós de forma justa e em tempo hábil.

 Aplicação: Pagar dívidas, não enganar em transações comerciais e ser honesto em todas as questões financeiras.

Honrar nossos compromissos financeiros

Salmo 15:4 – "Que juram com dano para si mesmos e não mudam."

Uma pessoa que honra a Deus com suas finanças é fiel aos seus compromissos financeiros. Não faz promessas ou acordos que não pode cumprir.

Aplicação: Cumprir contratos, pagar empréstimos e ser transparente nas negociações financeiras.

Praticar generosidade e solidariedade

2 Coríntios 9:7 – "Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama quem dá com alegria."

A honra financeira também envolve dar com alegria, seja para a obra de Deus ou para ajudar outras pessoas. A generosidade é um sinal de coração honroso.

Aplicação: Doar para causas e pessoas necessitadas, ajudar na comunidade, e sempre agir com alegria e sem buscar reconhecimento.

Deus abençoe sua vida 

Leonardo Lima Ribeiro 

quarta-feira, 5 de março de 2025

A riqueza de Deus é a salvação

(Pomerode - Santa Catarina)


A Verdadeira Riqueza: Uma Nova Realidade em Cristo

O ensino de Jesus em Mateus 6:19-21 é um chamado para uma mudança de mentalidade. No Sermão da Montanha, Ele diz:

"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mateus 6:19-21)

Este ensino é revolucionário porque desafia um pensamento profundamente enraizado entre os judeus da época. Para muitos, a prosperidade material era vista como um sinal direto da bênção de Deus. As promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó estavam ligadas a uma herança tangível, e reis como Davi e Salomão foram exemplos de como a fidelidade a Deus poderia resultar em riquezas abundantes. Entretanto, Jesus não veio simplesmente para reafirmar a antiga aliança; Ele veio para inaugurá-la em sua plenitude, uma nova Aliança; 

A Transição da Antiga para a Nova Aliança

Jesus viveu em um período de transição entre a Antiga e a Nova Aliança. Ele mesmo declarou:

"Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para os abolir, mas para cumpri-los." (Mateus 5:17)

O cumprimento da Lei em Cristo significava que Ele seria a oferta perfeita, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29). Até Sua morte e ressurreição, os princípios da Lei mosaica ainda estavam em vigor. No entanto, Ele já preparava Seus discípulos para uma nova realidade.

O Verdadeiro Tesouro

O ensino de Jesus sobre não ajuntar tesouros na terra não significa que bens materiais são, por si só, maus. O próprio Salomão escreveu:

"Na casa do sábio há tesouro desejável e azeite, mas o homem insensato o dissipa." (Provérbios 21:20)

A questão não está na posse de bens, mas no lugar que eles ocupam no coração do homem. O problema surge quando o desejo por riquezas se torna a prioridade da vida. Paulo reforça esse ponto em sua carta a Timóteo:

"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (1 Timóteo 6:10)

Jesus propõe um novo foco: não mais a busca pela riqueza terrena como sinal de bênção, mas sim a busca pelos tesouros celestiais. Esse novo paradigma se reflete na conversa que Ele teve com o jovem rico em Mateus 19:16-22. O jovem desejava a vida eterna, mas quando Jesus o desafiou a vender tudo e segui-Lo, ele se entristeceu porque possuía muitas riquezas. O problema não estava nos bens materiais, mas no fato de que seu coração estava preso a eles.

Uma Nova Prioridade: O Reino de Deus

A partir da ressurreição de Cristo, a Nova Aliança é plenamente estabelecida. O Espírito Santo passa a habitar nos crentes, permitindo-lhes viver segundo a vontade de Deus. Agora, a verdadeira prioridade não é mais a acumulação de riquezas terrenas, mas a busca pelo Reino:

"Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33)

Esse ensinamento não significa que Deus ignora nossas necessidades materiais, mas sim que Ele nos chama a confiar n'Ele. O apóstolo Paulo, que viveu tanto em abundância quanto em necessidade, declara:

"Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece." (Filipenses 4:12-13)

O Reino de Deus traz uma nova perspectiva: agora vivemos por fé, investimos na eternidade e encontramos nossa satisfação em Cristo.

Onde Está o Nosso Tesouro?

Jesus nos convida a uma transformação de pensamento. Em um mundo que valoriza a ostentação e a busca incessante pelo sucesso material, Ele nos desafia a perguntar: Onde está o nosso tesouro? Se nossa vida está fundamentada nas riquezas terrenas, ela será passageira. Mas se nosso coração está voltado para o Reino de Deus, teremos um tesouro eterno.

O apóstolo Pedro reafirma essa verdade:

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós." (1 Pedro 1:3-4)

Jesus, ao ensinar sobre as riquezas, trouxe uma nova perspectiva sobre a vida, sobre o coração humano e sobre as prioridades eternas. No Sermão da Montanha, especificamente em Mateus 6:19-21, Ele diz:

"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."

Essa afirmação de Jesus não se trata apenas de um alerta contra a idolatria ao dinheiro ou aos bens materiais, mas de uma revelação sobre o verdadeiro propósito da vida e o destino eterno do ser humano. O povo judeu, naquela época, via a prosperidade material como uma evidência da bênção divina. Isso tinha fundamento nas promessas do Antigo Testamento, onde Deus recompensava a fidelidade com fartura e segurança (Deuteronômio 28:1-14). No entanto, Jesus inaugura uma nova realidade, onde a ênfase não está na posse, mas no propósito.

O apóstolo Paulo reforça esse ensinamento em Colossenses 3:1-2: "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra." Aqui, Paulo reafirma que a vida do cristão deve estar ancorada no reino de Deus e não nas preocupações deste mundo.

Jesus não estava negando a importância do trabalho, da provisão ou do planejamento financeiro. Ele mesmo utilizou parábolas que falavam sobre a administração responsável dos recursos, como a Parábola dos Talentos (Mateus 25:14-30). No entanto, Ele estava ensinando que a prioridade do coração não pode estar nas riquezas passageiras, mas naquilo que tem valor eterno.

Muitas vezes, somos influenciados pela sociedade a medir nosso valor por aquilo que possuímos. As redes sociais potencializam essa comparação, gerando frustração, ansiedade e um desejo insaciável de status. No entanto, Jesus nos convida a confiar nEle como nossa verdadeira fonte de segurança e alegria. Como Ele mesmo declarou em Mateus 6:33: "Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."

Isso não significa que Deus não abençoa materialmente Seus filhos, mas que a prioridade sempre deve ser espiritual. Em 2 Coríntios 8:9, Paulo diz: "Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza vós enriquecêsseis." Esse enriquecimento, antes de ser financeiro, é espiritual, trazendo sabedoria, contentamento e uma nova perspectiva de vida.

A verdadeira prosperidade, então, não é medida pelo que acumulamos, mas pelo quanto nos tornamos semelhantes a Cristo. Quando entendemos essa verdade, vivemos livres da ansiedade pelo futuro e confiantes de que Deus suprirá todas as nossas necessidades, conforme Filipenses 4:19: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus."

O objetivo prático é alinhar nosso coração com as riquezas eternas, entendendo que nossa maior herança está nos céus e que nossa vida deve refletir essa esperança. Afinal, onde estiver nosso tesouro, ali estará também o nosso coração.

Você não precisa se preocupar ou colocar o seu coração nas riquezas da terra. As riquezas terrenas não são o sinal da bênção de Deus. Na antiga aliança, elas eram uma evidência da fidelidade de Deus ao povo judeu, mas, para nós, em Cristo, são apenas uma possível consequência da nossa fé incluída em nosso propósito. 

As coisas espirituais se manifestam em nossa vida através da nova realidade da Nova Aliança. Romanos 8 fala sobre uma vida no Espírito, e essa realidade se expressa por meio do fruto do Espírito, descrito em Gálatas 5. Esse fruto reflete o caráter de Cristo e se manifesta em amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. 

Jesus nos ensina sobre a relação entre o nosso coração e o tesouro em Mateus 6:21: "Onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração." Isso significa que aquilo que valorizamos e buscamos revela onde está o nosso coração. Se os nossos olhos estão fixos nas riquezas materiais, buscando incessantemente dinheiro, status e sucesso, então nosso coração pode estar distante de Deus.

Hoje, somos bombardeados por uma cultura que incentiva a comparação e a insatisfação. As redes sociais mostram apenas os momentos de conquistas das pessoas: a casa nova, o carro de luxo, as roupas de marca. Isso pode gerar frustração, pois muitos passam a medir sua bênção pela condição financeira.

No entanto, Jesus nos convida a uma nova perspectiva. Ele nos ensina a não acumular tesouros na terra, mas sim no céu. A verdadeira bênção não está nos bens materiais, mas na manifestação do Reino de Deus em nós. O nosso valor não está no que possuímos, mas em quem nos tornamos em Cristo. É muito fácil você desviar o foco de sua fé, e depois de um tempo estar vivendo em uma completa desilusão com tudo, confuso com suas convicções e o que acredita ser verdadeiro. 

Isso não significa que é errado desejar uma vida próspera. Deus nos deu sabedoria e capacidade para prosperar, e não há problema algum em querer o melhor para nossa vida e nossa família. O problema está quando o coração se apega excessivamente a isso, gerando ansiedade, frustração e uma sensação de insuficiência. A fé verdadeira está no descanso. Filipenses 4:6-7 nos ensina a apresentar a Deus nossas petições com oração e ação de graças, confiando que Ele cuida de nós. Quando colocamos nossos sonhos diante de Deus, precisamos aprender a confiar e agradecer, mesmo antes de ver a resposta.

Nosso coração deve estar ancorado em Cristo. O verdadeiro tesouro é a presença de Deus em nossa vida. Quando compreendemos isso, conseguimos valorizar o que realmente importa: a paz, a justiça e a alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17).

O Reino de Deus se manifesta em nós através da nossa consciência de filiação, da revelação da paternidade de Deus e do amor de Cristo em nós. Se continuarmos acreditando que riqueza é sinônimo de bênção, ainda estaremos presos à mentalidade da antiga aliança. No entanto, em Cristo, entendemos que a maior herança que possuímos é a vida eterna e a plenitude da presença de Deus habitando em nós. Portanto, continue crendo que Deus tem o melhor para você, mas que o verdadeiro tesouro é viver na plenitude do Seu amor e propósito. Seja grato pelo que tem hoje, confie no cuidado de Deus e viva uma vida abundante no Espírito!

Você pode estar vivendo hoje em um estado de muita riqueza material, ou talvez passando por um momento de escassez, mas isso não define quem você é em Deus. Você pode ter muita coisa, mas estar completamente fora da vida com Deus, sem alinhamento com aquilo que Jesus propõe. Na nova aliança, não discernimos mais as pessoas por questões externas, pois nosso coração está ligado às coisas do alto, ao caráter de Cristo. Em Deuteronômio, quando se fala sobre bênção e maldição, vê-se que a prosperidade estava ligada à obediência. Jesus, porém, foi obediente até o fim e cumpriu tudo. Assim, quando cremos n'Ele, recebemos, por fé, as bênçãos propostas em Deuteronômio, pois Ele cumpriu o que não podíamos cumprir.

Mas o que significa crer? O que é fé? Fé é a certeza das coisas que não vemos. Se você crê em Jesus como Salvador, recebe a salvação. Se crê Nele como Senhor, entra numa vida de obediência. O Espírito Santo nos guia nessa obediência, pois a fé também é obediência. Ninguém pode dizer que crê em Jesus e, ao mesmo tempo, não segui-Lo.

Por isso, o batismo é a ação da fé. Se você crê, você se batiza. Alguns questionam se o batismo salva, mas a Bíblia é clara: somos justificados pela fé. No entanto, a fé sempre se manifesta em ação. O batismo é o revestimento de Cristo. O ladrão na cruz não se batizou, mas foi revestido pelo próprio Cristo quando ouviu: "Hoje estarás comigo no Paraíso."

Muitas pessoas, por falta de entendimento bíblico, não se batizam, baseando-se no caso do ladrão na cruz. Mas Colossenses afirma que o batismo é o revestimento de Cristo. Quando somos batizados, é como se nos vestíssemos com Cristo. O batismo simboliza a morte do velho homem e o nascimento do novo. Quando cremos, o batismo é imediato; é a expressão pública da nossa fé. Não há desculpas para não se batizar. Mesmo em situações extremas, como um deserto, sempre haverá um meio, nem que seja um copo d'água. O batismo está presente em toda a Bíblia. Muitas vezes, só percebemos algo quando passamos a procurá-lo, assim como quando decidimos comprar um modelo específico de carro e, de repente, o enxergamos por toda parte.

O discipulado antes do batismo é um erro comum. Discipular quem ainda não nasceu de novo é ensinar coisas espirituais a quem não pode compreendê-las. Jesus disse a Nicodemos que era necessário nascer da água e do Espírito para entender as coisas espirituais. A salvação não vem por intelecto ou argumentação, mas pelo Espírito Santo. Muitas pessoas acham que a conversão ocorre por pregação eloquente, boa argumentação ou teologia impecável. Mas a verdade é que ninguém pode chamar Jesus de Senhor sem que o Espírito Santo o revele.

Um exemplo ilustra bem isso. Uma história que li em um livro quando fazia o curso de missiologia: um conferencista da Nova Era, altamente respeitado, foi ao Vietnã para meditação. Conversando com um camponês, expôs toda sua sabedoria esotérica. O camponês ouviu atentamente e, no final, fez uma simples pergunta: "Esse deus de quem você fala se relaciona com você?" O conferencista ficou confuso e sem resposta. Então, o camponês acrescentou: "O Deus que eu conheço, eu posso chamar de Pai." Isso transformou a vida do conferencista, que passou a estudar sobre Jesus e se converteu. Hoje, ele prega o evangelho para outras pessoas da Nova Era. Isso prova que não é pela eloquência, mas pela verdade revelada pelo Espírito Santo.

A fé não é apenas um conceito, mas uma experiência real e transformadora. O batismo é a resposta da fé em ação. Quem crê, obedece. Quem obedece, vive a nova vida em Cristo.

Irmãos, muitas vezes o homem pensa que basta pegar um papel e falar sobre Deus. Mas a verdade é que o homem não tem capacidade de falar de Deus com propriedade. O que podemos compartilhar é a nossa experiência com aquilo que Ele nos revelou. Se pensarmos em um nível de conhecimento sobre Deus, e esse nível fosse de 100%, talvez eu tenha alcançado apenas 0,001%. Isso porque Ele permite que O conheçamos apenas na medida em que nossa relação com Ele se aprofunda. Deus se faz entender na proporção que deseja, e nós nunca O entenderemos por completo.

Por isso, quando vejo teólogos debatendo, nem perco meu tempo. Uma coisa é estudar a Bíblia, analisar o contexto, a história, a exegese, a hermenêutica – e eu faço isso. Mas conhecer Deus em Sua totalidade? Isso está além da nossa capacidade. Ele nos conhece 100%, enquanto nós O conhecemos apenas até onde Ele nos permite.

Aí vem o homem e cria um mestrado chamado "Mestrado em Divindade". Sei que são apenas disciplinas acadêmicas, mas o próprio nome já soa estranho. Como alguém pode ser mestre em divindade? O homem acha que pode explicar Deus com propriedade, mas não pode. O que podemos compartilhar é aquilo que nos foi revelado e aquilo que nossa fé já alcançou.

Muitas vezes, me fazem perguntas sobre Deus e, se eu não sei a resposta, simplesmente digo: "Não sei." Mas algumas pessoas, em vez de aceitar essa limitação, procuram respostas na internet, onde encontram teorias – interpretações humanas baseadas em estudo e raciocínio. Deus, porém, Se revela à medida que nos relacionamos com Ele e, antes de tudo, para nos transformar. 

No contexto ministerial, sempre digo: se um ministério não revela aquilo que Deus está fazendo na vida da pessoa, é pura vaidade. Se alguém quer pregar sem ter vivido aquela transformação, está apenas tentando mostrar algo que não tem. O verdadeiro ministério deve revelar Cristo, e não a própria pessoa. Se eu era um viciado e fui liberto, eu posso testemunhar essa transformação. Se eu tinha problemas de rejeição e encontrei a paternidade de Deus, posso falar disso. Mas se eu falo sobre algo que ainda não vivi, estou apenas promovendo a mim mesmo, e não a Cristo.

Hoje em dia, vejo muitas pessoas querendo falar sobre a Bíblia após lerem um texto uma ou duas vezes, ou até mesmo depois de anos de leitura sem entendimento. E por quê? Por vaidade. Queremos reconhecimento, queremos ser vistos. Mas o verdadeiro chamado exige que mortifiquemos essa vaidade diariamente para que nosso ministério revele Cristo e não nossa própria imagem.

Isso me fez refletir sobre algo: quando buscamos ajuda para criar conteúdo na internet, sempre recebemos conselhos sobre postura, imagem, estratégias para atrair público. E sim, existem técnicas eficazes para isso. Mas se olharmos para a Bíblia, veremos que os maiores pregadores da história foram os apóstolos. Eles levaram a mensagem de Cristo a diversas nações do Império Romano.

E qual era a técnica deles? PNL? Oratória? Marketing de imagem? Nada disso. Eles apenas pregavam com verdade e unção. Muitos hoje seguem estratégias de crescimento digital, e pode ser que consigam seguidores, mas será que estão alcançando vidas para Deus? Porque o que realmente transforma é a unção, não a estética, o tom de voz ou o posicionamento de imagem. Quando Deus chama alguém, Ele já sabe como essa pessoa é, e é Ele quem capacita com poder sobrenatural.

Quando compreendemos isso, tudo muda. Paramos de tentar impressionar e de criar personagens para convencer os outros. Vejo muitos pregadores hoje que, no YouTube, são um personagem. Mas, no dia a dia, são pessoas completamente diferentes. Eles atraem as pessoas para si, e não para Cristo. Isso explica por que existe tanta idolatria no meio cristão. Muitos criam um posicionamento de imagem para prender os olhos e a alma das pessoas. E, se não tiverem conteúdo e unção, acabarão levando os outros a idolatrá-los em vez de conduzi-los à verdade de Cristo.

Se tiver dúvidas sobre isso, basta olhar para a situação das igrejas no Brasil. Muitos escândalos surgem, e as pessoas continuam seguindo líderes corruptos. Vejo casos de adultério, corrupção financeira, até crimes graves, e as pessoas ainda defendem certos líderes. O que eu sempre digo é: Jesus cuida da igreja d’Ele. O que nós temos que fazer é escolher onde vamos caminhar. Se o ambiente se corrompeu, agradeça a Deus pelo tempo que esteve ali e siga em frente.

Às vezes, situações difíceis ocorrem na igreja, e o pastor precisa lidar com elas. No entanto, quando essas situações envolvem a liderança, a complexidade aumenta. É importante lembrar que você tem o livre-arbítrio para escolher onde congregar. Como está escrito em Provérbios 16:9: "O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos". Se buscamos a verdade, Deus jamais nos negará esse conhecimento. Seja através de um livro, de uma pregação ou mesmo de um vídeo, a verdade chegará até nós, pois o próprio Jesus afirmou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6).

Muitas vezes, quando ouvimos uma palavra profética, podemos reagir de diferentes formas. Alguns a recebem com alegria e edificação, enquanto outros a rejeitam por não quererem ser confrontados. O apóstolo Paulo nos ensina em 2 Timóteo 3:16-17 que "Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra". Isso significa que a Palavra também tem um papel corretivo, e aqueles que são sábios aceitam a correção, enquanto os tolos se iram (Provérbios 9:8-9).

Muitas vezes, aqueles que rejeitam a correção respondem com ironia, sarcasmo ou deboche. Isso ocorre porque o evangelho confronta nossas atitudes e nos convida ao arrependimento. Quando resistimos à transformação que Deus deseja operar em nós, acabamos sofrendo as consequências naturais de nossas escolhas.

A Bíblia nos ensina em Romanos 1:24-25: "Por isso Deus os entregou aos desejos pecaminosos de seus corações, para a impureza sexual, para a degradação de seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém."

Esse versículo não sugere que Deus pune arbitrariamente, mas sim que, quando uma pessoa persiste em rejeitar a verdade, Ele permite que siga seus próprios caminhos, colhendo as consequências naturais de suas escolhas. Quando nos afastamos de Deus, nos tornamos vulneráveis à ilusão do pecado e às suas repercussões. No entanto, Ele está sempre disposto a nos receber de volta quando escolhemos nos arrepender e retornar à Sua verdade.

Quando um pastor aconselha um irmão a perdoar, a agir com integridade nos negócios ou a viver em santidade, a pessoa tem a liberdade de escolher obedecer ou ignorar. No entanto, ao optar por ignorar esses conselhos, ela se coloca no caminho de consequências dolorosas. Deus, em Sua misericórdia, sempre envia Sua palavra de alerta — seja por meio das Escrituras, de um pastor, da família ou dos amigos. O verdadeiro problema ocorre quando a pessoa endurece seu coração diante desses avisos. Como está escrito em Provérbios 29:1: "O homem que muitas vezes é repreendido e endurece a cerviz será quebrantado de repente, sem que haja cura". Essa reação nos coloca na linha do risco de rejeitar repetidamente as correções divinas, o que pode resultar em uma queda irreversível, sem espaço para restauração.

Receber correção é essencial para o crescimento espiritual. A experiência de aprendizado sob uma liderança firme, que não tem medo de falar a verdade, é um presente. Hebreus 12:11 ensina: "Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porem, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados".

Muitas pessoas rejeitam a correção porque a interpretam como um ataque pessoal, mas, na verdade, a Palavra de Deus apenas revela áreas que precisam de transformação. Assim como o fogo refina o ouro, removendo as impurezas, a Palavra tem o poder de nos purificar e nos moldar, como está escrito em Zacarias 13:9. Quando alguém é corrigido em relação à vaidade, ganância ou soberba, a reação imediata pode ser de resistência e negação. No entanto, se houver humildade, com o tempo essa pessoa perceberá que a correção não é um castigo, mas um convite ao amadurecimento. A disciplina divina, longe de ser algo negativo, é um meio de nos tornar mais semelhantes a Cristo e mais preparados para viver segundo a Sua vontade.

É sábio ter um coração ensinável, aberto à transformação que vem pela Palavra e pelo Espírito Santo. Davi expressa essa atitude de rendição e disposição para a mudança no Salmo 139:23-24, quando clama: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece as minhas inquietações. Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno". Neste clamor, Davi nos ensina a importância de permitir que Deus examine nosso coração, identificando áreas que precisam de cura ou ajuste. A verdadeira sabedoria está em buscar constantemente a direção divina, reconhecendo que, ao nos submeter à Sua vontade, somos conduzidos ao caminho da vida plena e eterna.

Paulo nos ensina que nossas obras serão provadas pelo fogo (1 Coríntios 3:12-13). Se forem de ouro, prata e pedras preciosas, permanecerão, pois foram construídas em fé. Se forem de madeira, feno ou palha, serão consumidas, pois foram construídas na carne, na vaidade e no orgulho.

A melhor resposta para os altivos é seguir em frente e desejar-lhes a bênção de Deus. Como está escrito em Provérbios 15:1, "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira". Não precisamos nos preocupar em corrigi-los, pois o Espírito Santo é infinitamente mais eficiente para trabalhar em suas vidas do que qualquer um de nós.

Infelizmente, há muitos membros, líderes e até pastores que ainda vivem segundo a carne. No entanto, a obra da carne foi crucificada com Cristo (Gálatas 5:24). Quando nascemos de novo, tornamo-nos uma nova criação (2 Coríntios 5:17). Agora, somos espírito e nossa realidade é espiritual. Mas a nossa alma está em processo de renovação diária (Romanos 12:2).

Paulo instrui a não consagrar neófitos ao ministério (1 Timóteo 3:6), pois um imaturo pode cair em laças do inimigo por ainda não ter uma mente transformada. Por isso, ao estabelecer presbíteros, Tito recebeu orientações claras (Tito 1:5-9): deveriam ser irrepreensíveis, fiéis, moderados, conhecedores da Palavra e bons governantes do lar. Essas são características de maturidade e experiência com Deus.

O papel dos presbíteros era tomar decisões com sabedoria e misericórdia. Como podemos ter uma liderança eficaz se é composta por pessoas carnais e gananciosas? A igreja primitiva resolvia questões com oração e busca ao Espírito Santo (Atos 6:3-6). Hoje, muitas igrejas são tratadas como empresas, priorizando o lucro ao invés do crescimento espiritual.

No passado, Deus acrescentava os que haviam de ser salvos à igreja (Atos 2:47). Hoje, há estratégias humanas de marketing e persuasão para atrair pessoas. Jesus nos ensinou que o mundo reconhecerá os seus discípulos pelo amor que há entre eles (João 13:35). Se uma igreja precisa de técnicas de manipulação para manter seus membros, algo está errado.

De acordo com as Escrituras, é Deus quem acrescenta os salvos à Igreja. Em Atos 2:47, por exemplo, vemos que “o Senhor ia acrescentando, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Este versículo indica que, após o Pentecostes, a obra de salvação e o crescimento da Igreja eram diretamente obra de Deus, que, por meio do Espírito Santo, atraía e transformava corações, trazendo-os para a comunidade dos crentes.

A Igreja, como o Corpo de Cristo, não depende apenas de esforços humanos para crescer, mas é Deus quem chama e salva as pessoas. Ele utiliza diversos meios – como pregação, testemunho pessoal, e outros – para alcançar aqueles que Ele deseja salvar, mas é Ele quem realiza a obra de regeneração e os acrescenta à Sua Igreja.

Esse entendimento também é reforçado em 1 Coríntios 12:18, onde Paulo afirma: “Agora, Deus dispôs os membros no corpo, cada um deles, como lhe agradou”. Isso destaca que a inclusão de cada pessoa na Igreja é uma decisão soberana de Deus, que coloca cada um no lugar certo no Seu plano.

Assim como vimos ao longo deste capítulo, Deus é quem acrescenta os salvos à Igreja, guiando-os e moldando-os para cumprir Seus propósitos. Não é nossa tarefa forçar esse crescimento, mas estar sensíveis à Sua direção, permitindo que Ele nos coloque no Corpo de Cristo, de acordo com a Sua vontade. Em Atos 2:47, vemos que o Senhor ia acrescentando os salvos, mostrando que a obra da salvação e da edificação da Igreja é completamente Sua.

Essa verdade se conecta com o que Jesus ensina em Mateus 6:19-21: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde os ladrões roubam; mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não consomem, e onde os ladrões não roubam. Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração.” A acumulação de “tesouros no céu” não é uma busca por status ou bens materiais, mas pelo crescimento espiritual e pelo chamado que Deus nos dá na Sua Igreja. Quando somos acrescentados à Igreja de Cristo, nossa vida passa a ter um propósito eterno, e é nesse tesouro celestial que devemos investir — um tesouro que não é corrompido por coisas terrenas, mas que resiste à prova do tempo e da eternidade.

Portanto, ao refletirmos sobre nossa jornada espiritual e nossa inclusão no Corpo de Cristo, devemos sempre lembrar: o verdadeiro tesouro está em viver segundo a vontade de Deus, sendo moldados por Sua Palavra e pelo Espírito, e sendo acrescentados à Igreja, que é a Sua obra redentora na Terra. Onde nosso coração está investido nesse propósito eterno, aí estará também nossa verdadeira riqueza, que nunca será roubada nem corrompida.

Deus abençoe vocês

Leonardo Lima Ribeiro 



 

sábado, 1 de março de 2025

Meditação de março

 


"Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti"

O propósito de suas ações não será em vão

O Céu começa a vibrar com um som totalmente diferente 

Suas promessas e juízos são cumpridos de acordo com o que Ele determinou

Sou eu o Senhor, anunciando a tua justiça

Simbolizavam a abundância da provisão divina 

Vamos sair de toda limitação. Isso vai se extraordinário. A cidade está pronta

Porque restaurarei a sorte da terra como no princípio, diz o Senhor

Deus guia cada passo da vida de Jesus, protegendo-o até que chegue o tempo perfeito para seu ministério

Deus age soberanamente na história 

Era um grande homem diante do Senhor, e de muito conceito 

Nunca mais te chamarão desamparado(a)

Que o Senhor possa falar de forma revelada a você!!

Leonardo Lima Ribeiro 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

A benção da contribuição voluntária

 


O Novo Testamento apresenta diversas passagens que abordam o sustento financeiro dos apóstolos e daqueles que dedicavam suas vidas ao ministério. A Bíblia ensina que aqueles que pregam o evangelho têm o direito de receber sustento, mas também destaca a importância da integridade, do desprendimento e da confiança em Deus para prover.

1. O Direito ao Sustento Ministerial

O apóstolo Paulo ensina claramente que aqueles que trabalham na obra de Deus têm o direito de receber sustento material da comunidade cristã:

1 Coríntios 9:7-14 – Paulo usa exemplos da vida cotidiana (soldados, agricultores e pastores) para mostrar que aqueles que servem têm o direito de receber sustento. Ele afirma:

“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.” (1 Coríntios 9:14)

Lucas 10:7 – Jesus instrui os discípulos enviados a não levarem provisões, pois aqueles a quem pregassem deveriam sustentá-los:

"Permanecei naquela mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o trabalhador do seu salário."

1 Timóteo 5:17-18 – Paulo reforça que aqueles que ensinam a Palavra devem ser bem tratados:

“Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina.”

2. O Exemplo de Paulo: Trabalho e Renúncia

O apóstolo Paulo, em suas epístolas, deixa claro que os ministros do evangelho têm o direito de serem sustentados pela igreja. No entanto, ele mesmo, em diversas ocasiões, escolheu abrir mão desse direito para não ser um peso para os fiéis e para dar um exemplo de trabalho e dedicação. Essa postura é evidenciada em passagens como 1 Coríntios 9:14-18 e 2 Tessalonicenses 3:7-9.

Em 1 Coríntios 9, Paulo argumenta que aqueles que pregam o evangelho devem viver do evangelho, citando o exemplo dos sacerdotes do Antigo Testamento, que recebiam sustento do altar. No entanto, ele ressalta que, embora tivesse esse direito, optou por não usá-lo para evitar qualquer obstáculo à propagação da mensagem de Cristo. Seu objetivo não era enriquecer com a pregação, mas garantir que o evangelho fosse anunciado sem suspeitas de interesses financeiros.

Em 2 Tessalonicenses 3:7-9, Paulo reforça sua decisão ao lembrar aos crentes que ele e seus companheiros trabalharam arduamente para não serem um peso para a igreja. Ele destaca que, mesmo tendo o direito ao sustento, escolheu trabalhar para dar um exemplo de diligência e responsabilidade. Seu desejo era incentivar os crentes a valorizarem o trabalho e a ajudarem uns aos outros, sem se tornarem dependentes desnecessariamente.

Essa postura de Paulo ensina princípios importantes para os ministros do evangelho e para os fiéis. Em primeiro lugar, mostra que o sustento ministerial é bíblico e legítimo, mas deve ser exercido com discernimento e responsabilidade. Em segundo lugar, destaca a importância de evitar escândalos ou situações que possam prejudicar o testemunho cristão. Por fim, ensina que o ministério pastoral não deve ser visto como uma fonte de lucro, mas como um chamado divino que requer sacrifício e compromisso.

Portanto, a escolha de Paulo de abrir mão do sustento em certas ocasiões demonstra seu compromisso com a causa de Cristo e serve como um modelo de integridade, trabalho e dedicação ao evangelho. Seu exemplo permanece relevante para os dias de hoje, incentivando um ministério centrado na missão e na edificação da igreja.

Atos 18:3 – Paulo trabalhava como fabricante de tendas para se sustentar enquanto pregava.

1 Coríntios 9:12 – Ele diz que não fez uso do direito ao sustento para não colocar impedimento ao evangelho.

2 Tessalonicenses 3:7-9 – Paulo ensina que trabalhou dia e noite para não ser pesado a ninguém, mostrando um exemplo de autossustento.

3. A Generosidade das Igrejas no Sustento Apostólico

Muitas igrejas ajudaram financeiramente os apóstolos e missionários:

A sustentação dos ministros do evangelho por meio de ofertas voluntárias é um princípio bíblico fundamentado na honra e na fé no propósito divino. Desde os tempos antigos, Deus estabeleceu que aqueles que dedicam suas vidas à obra espiritual devem ser sustentados por aqueles que se beneficiam de seu ministério.

O Princípio da Honra: A Bíblia nos ensina que a honra deve ser concedida àqueles que trabalham na seara do Senhor. Em 1 Timóteo 5:17-18, o apóstolo Paulo declara:

"Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. Porque diz a Escritura: Não atarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário."

Esse texto revela que aqueles que servem fielmente ao Senhor, pregando e ensinando a Palavra, são dignos de sustento. A "duplicada honra" mencionada não se refere apenas ao respeito, mas também à provisão material. Quando um ministro do evangelho é honrado com sustento digno, a igreja reconhece o valor do seu trabalho e cumpre um princípio espiritual essencial.

A Fé no Propósito Divino: O sustento ministerial também está enraizado na fé no propósito divino. Deus chama pessoas para se dedicarem integralmente ao ministério, e a manutenção financeira por meio de ofertas permite que esses servos cumpram seu chamado sem distrações. Em 1 Coríntios 9:13-14, Paulo reforça esse princípio:

"Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho."

Aqui, Paulo faz uma analogia com os sacerdotes do Antigo Testamento, que eram sustentados pelas ofertas trazidas ao templo. No Novo Testamento, Jesus reafirma esse princípio ao enviar os discípulos para pregar, dizendo-lhes para não levarem suprimentos porque seriam sustentados pelos que os recebessem (Lucas 10:7).

O Papel das Ofertas Voluntárias: O sustento dos ministros deve vir das ofertas voluntárias, fruto do coração generoso dos crentes. A contribuição financeira à igreja e aos seus ministros não deve ser vista como um fardo, mas como um ato de gratidão e obediência a Deus. Em 2 Coríntios 9:7, Paulo ensina:

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."

A prática da generosidade não apenas supre as necessidades dos ministros, mas também libera bênçãos sobre os ofertantes. Quando alguém semeia na obra de Deus, colhe frutos espirituais e materiais, pois está investindo no Reino de Deus.

Sustentar os ministros do evangelho por meio de ofertas não é apenas uma necessidade prática, mas um princípio divino baseado na honra e na fé no propósito de Deus. Quando os crentes reconhecem a importância desse princípio, contribuem com alegria, sabendo que estão fortalecendo a obra do Senhor e garantindo que Seus servos possam continuar a cumprir seu chamado. Dessa forma, a igreja cresce espiritualmente e a Palavra de Deus é propagada com eficácia.

Filipenses 4:15-17 – A igreja de Filipos ajudou financeiramente Paulo mais de uma vez:

“Nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão vós somente.”

Romanos 15:26 – Paulo menciona ofertas levantadas por igrejas da Macedônia e Acaia para ajudar os irmãos pobres em Jerusalém.

4. O Perigo do Amor ao Dinheiro e a Piedade como Fonte de Lucro

O Novo Testamento alerta contra o uso do evangelho como meio de enriquecimento pessoal:

Mateus 10:8 – Jesus instrui os discípulos: "De graça recebestes, de graça dai."

1 Timóteo 6:5-10 – Paulo adverte sobre aqueles que usam a piedade como fonte de lucro e sobre o amor ao dinheiro como raiz de todos os males.

Atos 8:18-21 – Simão, o mago, tenta comprar o dom do Espírito Santo, e Pedro o repreende severamente.

O Novo Testamento ensina que os apóstolos e ministros do evangelho têm direito ao sustento, mas esse sustento deve ser oferecido voluntariamente pelas igrejas e administrado com integridade. O exemplo de Paulo mostra que, embora o sustento seja legítimo, o ministério não deve ser visto como meio de enriquecimento. A ênfase está na dependência de Deus e na generosidade da comunidade cristã para suprir as necessidades dos que servem ao Senhor.

A Responsabilidade dos Fiéis em Sustentar o Ministério

No Novo Testamento, encontramos uma clara ênfase no princípio da reciprocidade espiritual e material dentro da comunidade cristã. A ideia central é que aqueles que recebem bênçãos espirituais através do ministério devem, em gratidão e responsabilidade, contribuir para o sustento da obra de Deus. No entanto, muitas pessoas desejam usufruir dos benefícios do ministério sem assumir a responsabilidade de apoiá-lo financeiramente ou de outra forma.

1. O Princípio Bíblico da Reciprocidade

A Bíblia ensina que há uma relação de mutualidade entre aqueles que ensinam e aqueles que são ensinados:

Gálatas 6:6 "E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui."

Aqui, Paulo destaca que quem recebe ensino deve contribuir materialmente para o sustento daquele que ensina. Isso não é uma troca comercial, mas um princípio de gratidão e apoio mútuo no Corpo de Cristo.

Romanos 15:27 "Isto lhes pareceu bem, e devedores são para com eles; porque, se os gentios têm sido participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais."

Neste versículo, Paulo mostra que os gentios, que receberam benefícios espirituais, tinham a obrigação moral de contribuir financeiramente com os judeus crentes em Jerusalém que passavam necessidade.

2. O Exemplo dos Macedônios: Contribuição com Alegria e Generosidade

Paulo exalta a igreja da Macedônia como um modelo de generosidade, apesar das dificuldades financeiras:

2 Coríntios 8:2-4 "Porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria e a sua profunda pobreza superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque, dou-lhes testemunho de que, segundo as suas posses, e ainda acima delas, deram voluntariamente, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos."

Isso mostra que a disposição de contribuir não deve depender de riqueza material, mas de um coração generoso.

3. O Problema da Ingratidão e da Negligência no Sustento do Ministério

Embora a Bíblia ensine sobre a importância de sustentar a obra de Deus, muitos se beneficiam do ministério sem contribuir para ele. Essa atitude pode ser fruto de egoísmo, falta de entendimento ou negligência espiritual.

Malaquias 3:8-10 "Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas."

Embora este texto esteja no contexto do Antigo Testamento, o princípio continua relevante: reter aquilo que pertence ao sustento da obra de Deus é visto como um ato de infidelidade.

1 Coríntios 9:11 "Se nós semeamos para vós as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as materiais?"

Paulo confronta diretamente a mentalidade de quem quer receber benefícios espirituais sem estar disposto a apoiar financeiramente a obra.

4. O Perigo do Consumo Espiritual sem Compromisso

O apóstolo Paulo, em suas cartas, frequentemente abordava a necessidade de um compromisso genuíno com a fé cristã. Um dos aspectos mais delicados dessa responsabilidade era o apoio financeiro à obra de Deus. Em passagens como 1 Coríntios 9:13-14 e Gálatas 6:6, ele confronta a mentalidade daqueles que desejam receber benefícios espirituais sem contribuir para a sustentação dos ministros e da missão da Igreja. Esse problema não era exclusivo de sua época, mas persiste até hoje, refletindo uma atitude de consumo espiritual sem envolvimento real.

1. O Evangelho Não Deve Ser Tratado Como Um Serviço Gratuito

Muitos se aproximam da fé buscando apenas bênçãos, consolo e ensino, mas sem o desejo de assumir compromissos práticos. Assim como qualquer estrutura organizacional necessita de recursos para funcionar, a obra de Deus também requer sustento para avançar. Paulo argumenta que "o trabalhador é digno do seu salário" (1 Tm 5:18) e que aqueles que ensinam a Palavra devem ser apoiados por aqueles que a recebem (Gl 6:6). Quando alguém consome a vida espiritual sem investir nela, demonstra ingratidão e falta de responsabilidade para com a comunidade cristã.

2. A Falta de Compromisso Financeiro Revela Uma Postura de Coração

A maneira como uma pessoa lida com seus recursos financeiros revela muito sobre suas prioridades espirituais. Jesus ensinou que "onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mt 6:21). Se alguém valoriza verdadeiramente o crescimento espiritual, naturalmente desejará contribuir para que outras pessoas também tenham acesso ao ensino e ao discipulado. O contrário também é verdadeiro: quem apenas recebe e nunca dá, demonstra uma fé centrada no próprio benefício e não no Reino de Deus.

3. A Mentalidade de Consumidor Enfraquece a Igreja

Quando os cristãos veem a fé apenas como algo a ser consumido e não como um compromisso a ser assumido, a Igreja se torna fraca e sem estrutura para cumprir sua missão. O envolvimento financeiro não é apenas uma questão administrativa, mas uma expressão prática do amor e da participação ativa na obra de Deus.

Enfim, a espiritualidade verdadeira exige compromisso, e isso inclui a disposição de contribuir para a expansão do Reino. Paulo não hesitou em corrigir aqueles que queriam apenas usufruir dos benefícios espirituais sem assumir responsabilidades. A fé genuína nos chama a sermos participantes ativos, e não apenas consumidores passivos, pois a obra de Deus avança por meio do engajamento e da generosidade de seu povo.

Nos tempos modernos, essa questão se manifesta de diversas formas:

Pessoas que frequentam igrejas, assistem a cultos online e recebem ensinamentos, mas nunca contribuem financeiramente.

Crentes que esperam que a igreja esteja sempre disponível para ajudá-los em momentos difíceis, mas não investem no crescimento da própria comunidade.

Indivíduos que querem pastores disponíveis para aconselhamento, discipulado e visitação, mas não se preocupam com a subsistência desses líderes.

Essa atitude demonstra uma visão utilitarista da fé, onde o cristianismo é visto apenas como um serviço gratuito ao invés de um compromisso comunitário.

5. A Bênção da Contribuição Voluntária

A Bíblia ensina que aqueles que dão generosamente não apenas sustentam a obra de Deus, mas também recebem bênçãos espirituais e materiais:

A contribuição voluntária, segundo os ensinamentos bíblicos, é mais do que um simples ato de generosidade material; ela é uma manifestação de fé e confiança em Deus, que promete recompensar aqueles que compartilham com os necessitados e com a obra do Reino. A Bíblia revela que, ao oferecer com um coração disposto e alegre, o crente não só contribui para o avanço da missão divina, mas também experimenta uma abundância de bênçãos espirituais e materiais.

Em 2 Coríntios 9:6-8, o apóstolo Paulo faz uma afirmação clara sobre os frutos da generosidade:

“Quem semeia pouco, pouco também colherá; e quem semeia com abundância, com abundância também colherá. Cada um dê conforme tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama a quem dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre em tudo o que é necessário, abundeis em toda boa obra.”

Este trecho revela um princípio fundamental: a doação voluntária não deve ser feita por obrigação, mas sim por alegria, refletindo uma atitude de coração disposto. Deus, por sua vez, garante que aqueles que contribuem generosamente experimentarão a abundância de Suas bênçãos. A promessa é de que Ele suprirá todas as necessidades daqueles que semeiam no Seu Reino, de modo que eles terão mais do que o suficiente para continuar a obra e para viver de forma abundante.

Além disso, em Lucas 6:38, Jesus reforça o caráter de reciprocidade divina ao dizer:

"Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordante, vos darão na vossa bolsa; porque com a medida com que medirdes também vos medirão de novo."

Aqui, a promessa de Jesus não é apenas sobre a recompensa material, mas também sobre a forma generosa como Deus responde à nossa generosidade. Ele não se limita a devolver o que foi dado, mas faz isso de forma abundante, transbordante, mostrando que, ao dar, o crente abre a porta para uma multiplicação das bênçãos de Deus em sua vida.

Além das bênçãos materiais, a Bíblia também destaca a abundância espiritual que vem da prática generosa. Em Atos 20:35, o apóstolo Paulo relembra uma palavra de Jesus: "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber". A verdadeira alegria não reside em acumular bens, mas em compartilhar com os outros, especialmente no contexto da fé. Quando alguém contribui para a obra de Deus, essa pessoa não apenas toca a vida de outros, mas também cresce espiritualmente, pois está se alinhando com a vontade divina de ajudar e servir.

Em Filipenses 4:19, Paulo assegura aos cristãos que, ao apoiar a obra do Senhor, podem ter plena confiança em que Deus suprirá todas as suas necessidades:

“E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus cada uma de vossas necessidades.”

Há uma certeza de que a generosidade não é uma perda, mas um investimento no Reino de Deus, que traz consigo a promessa de que Deus irá prover tudo o que for necessário para os Seus filhos.

Portanto, a Bíblia ensina que a contribuição voluntária não apenas sustenta a obra de Deus, mas também traz uma multiplicação de bênçãos, tanto no campo material quanto espiritual. Aquele que dá com generosidade e alegria experimenta a fidelidade de Deus em suprir suas necessidades e, mais do que isso, se aproxima de Deus, tornando-se mais semelhante a Ele, que é o maior exemplo de generosidade. Em sua generosidade, o crente não apenas abençoa os outros, mas também se torna alvo de abundantes bênçãos divinas.

2 Coríntios 9:6-7 "E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."

Lucas 6:38 "Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão; porque, com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo."

A contribuição não é uma obrigação legalista, mas uma oportunidade de participar da obra de Deus e experimentar sua provisão abundante.

O Novo Testamento ensina claramente que aqueles que são beneficiados pelo ministério devem contribuir para seu sustento. Essa contribuição deve ser feita com gratidão, generosidade e alegria, e não por obrigação ou coação. O maior problema não é a falta de dinheiro, mas a falta de compromisso e visão espiritual.

Leonardo Lima Ribeiro 

A pergunta que cada cristão deve fazer é: "Estou apenas recebendo do ministério ou também estou contribuindo para que a obra de Deus avance?"

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Meu antidenominacionalismo

 


Hoje, quero falar sobre nossa percepção, capacidade de avaliação e análise, que têm sido comprometidas pelo sistema de pensamento introduzido em muitas igrejas.

O Sistema de Pensamento e a Mentalidade do Reino

Você que ainda não conhece nosso conteúdo, recomendo que fale conosco. Se tem interesse em nosso discipulado para abrir sua mente em relação ao Reino de Deus e quebrar barreiras denominacionais, este é o caminho. Muitos me perguntam se sou contra igrejas ou denominações. Meu livro Destronando o Bezerro de Ouro trata claramente desse tema e você pode adquiri-lo através de nosso ministério

A questão central não é a instituição em si, mas o sistema de pensamento. A diferença entre unidade e uniformidade é crucial.

"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo." (1 Coríntios 12:4-5)

As denominações estabelecem padrões de pensamento, doutrina e até mesmo personalidade. Isso pode desconsiderar as diferenças individuais, a identidade ministerial e a vocação de cada um.

Os Cinco Ministérios e as Diferenças Individuais

A Palavra nos ensina que Deus concedeu cinco ministérios:

"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo." (Efésios 4:11-12)

Pedro não era como Paulo, Tiago não era como André. Cada um tinha um estilo, um público e uma cultura diferente. Paulo plantou igrejas em Tessalônica, Filipos, Corinto e Éfeso, cada uma com sua realidade cultural. A fé nunca anula a personalidade ou a cultura de um povo.

O Perigo da Uniformização Religiosa

*Uniformização significa tornar algo uniforme, padronizado ou homogêneo. Esse conceito pode ser aplicado em diferentes contextos, como:

Organizacional: Quando uma empresa padroniza processos, regras ou vestimentas para garantir coerência e identidade.

Jurídico: Quando há uma padronização de interpretações de leis para evitar decisões contraditórias.

Educacional: Quando o ensino segue um currículo ou metodologia única para manter a qualidade e a igualdade.

Cultural: Quando costumes ou práticas se tornam mais homogêneos dentro de uma sociedade.

No geral, a uniformização busca reduzir variações para manter ordem, coerência e eficiência.

Quando uma denominação padroniza a fé, pode acabar ignorando o chamado individual. Muitas pessoas se sentem deslocadas porque a estrutura proposta não opera em suas vidas. Você já passou por isso? Talvez tenha tentado funcionar dentro de um ministério e sentiu que aquilo não fluía na sua vida.

Eu mesmo, em minha experiência, ouvi líderes dizendo: "Você pode aprender de tudo e servir em todas as áreas". Isso é uma meia verdade. Podemos aprender de tudo, mas operar com unção e eficiência só é possível naquilo para o qual fomos chamados.

"Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil." (1 Coríntios 12:7)

Quando a igreja se torna uma máquina, forçando as pessoas a se encaixarem em um molde, perde-se a dinâmica do Corpo de Cristo.

Fluir no Chamado de Deus

Hoje, no nosso ministério, ajudamos pessoas a entrar na vontade de Deus entendendo suas características específicas. Não impomos um modelo. Nosso papel é reconhecer a vocação de cada um e ajudá-los a florescer.

Esta semana, um pastor me perguntou se deveria seguir um certo padrão. Respondi: "Siga o que flui na sua vida". Sofremos resistências do mundo, do inimigo e da nossa velha natureza. Mas o que vem de Deus é espontâneo e flui com paz.

"Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mateus 11:30)

O que você faz para Deus precisa fluir naturalmente, não por esforço humano, mas porque é algo que faz parte de quem você é em Cristo.

Um amigo comentou algo muito pertinente: "As igrejas deveriam ensinar as pessoas a descobrirem suas identidades em Cristo para viverem os seus propósitos." Exatamente! Essa é a função da igreja. Os cinco ministérios que existem na Igreja de Cristo servem precisamente para isso. Conforme Efésios 4:11-13:

"E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo."

A minha única função como pastor, na vida de alguém, é, enquanto essa pessoa ainda é "criança na fé", instruí-la na Palavra e ajudá-la na caminhada, até que alcance a maturidade espiritual. Quando a maturidade chega, a identidade de cada um em Cristo começa a florescer.

Por exemplo, há pessoas que são pastores, mas não de púlpito. Eles pastoreiam individualmente, cuidando das pessoas sem estarem em evidência. Outros, no entanto, têm chamado para o púlpito e precisam estar em evidência, pois são anunciadores da Verdade. São pregadores, evangelistas que fazem cruzadas, ensinam, escrevem e disseminam a Palavra. Cada um tem sua função específica, e não devemos estabelecer um padrão único para todos.

Infelizmente, as denominações, muitas vezes, criam moldes que não levam em consideração essas diferenças. Eu mesmo fiz parte de denominações reformadas e pentecostais e percebi que cada uma estabelece seu próprio padrão. Na tradição reformada, por exemplo, se alguém demonstra boa comunicação, raciocínio rápido e conhecimento acadêmico, logo é enviado para o seminário para se tornar pastor. Mas nem todos que possuem essas características foram chamados para o pastorado. Talvez Deus tenha dado a essa pessoa um talento para os negócios, para o ensino ou para outro ministério dentro do corpo de Cristo.

Essa padronização sufoca o propósito específico de cada um e desconsidera os dons e talentos distribuídos pelo Espírito Santo. Paulo nos ensina em 1 Coríntios 12:4-6:

"Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas é o mesmo Deus quem opera tudo em todos."

Além disso, temos visto uma tendência preocupante: muitos pastores sentem necessidade de fazer psicologia para entender as pessoas. Mas, quando os cinco ministérios foram estabelecidos após a ressurreição de Jesus, era o Espírito Santo quem capacitava os pastores a cuidar das pessoas. Não existia psicologia entre os apóstolos; eles eram completamente dependentes da direção do Espírito Santo.

Hoje, infelizmente, muitas igrejas se baseiam mais em habilidades humanas do que nos dons espirituais. Consequentemente, há uma escassez de palavras de conhecimento, palavras de sabedoria e discernimento espiritual. Em seu lugar, multiplicam-se profecias imaturas ou até mesmo falsas, que muitas vezes são dadas para agradar pessoas influentes, ao invés de transmitir a Verdade de Deus. Isso nos lembra Efésios 4:14:

"Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro."

Muitas pessoas buscam mestres segundo suas próprias vontades, conforme predito em 2 Timóteo 4:3-4:

"Porque virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. E se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas."

Quando trazemos a verdade da Palavra de Deus, algumas pessoas se incomodam, pois não querem ser confrontadas. Elas preferem quem as "afague" e lhes diga apenas o que querem ouvir. A Bíblia chama isso de "lamber feridas", algo que nos lembra a metáfora dos cães mencionada em Filipenses 3:2:

"Cuidado com os cães, cuidado com os maus obreiros, cuidado com a falsa circuncisão!"

Assim como um bom médico ou veterinário precisa primeiro limpar uma ferida e até retirar tecidos mortos para que a cicatrização ocorra corretamente, a verdade da Palavra de Deus muitas vezes causa desconforto inicial. É um processo de poda espiritual que gera crescimento. Como Jesus disse em João 15:2:

"Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto, ele o limpa, para que produza mais fruto ainda."

Portanto, precisamos de igrejas e líderes que ensinem a identidade em Cristo, respeitando os dons e chamados individuais, e que estejam dispostos a ministrar a verdade, mesmo que ela gere desconforto inicial. Somente assim o corpo de Cristo crescerá em maturidade e cumprirá o propósito de Deus nesta terra.

Uma vez aconselhei um pastor e disse a ele: "Olha, cuidado! Há pessoas que passaram por algum desconforto onde estavam e correm para você. Aí você pega e ainda entra num terreno perigoso de desonra, pois começa a ouvir as reclamações daquela pessoa sobre o pastor dela." Por exemplo, alguém diz: "Ah, eu fui falar com meu pastor e ele é muito duro, inflexível, não entende a minha dor". E você, sem perceber, começa a pensar: "Nossa, que cara ruim! Fica com a gente porque nós não somos ruins assim". Eu já fiz isso muitas vezes, e é um erro.

Acontece que, depois de um tempo, quando você começa a tratar aquela pessoa com a verdade e a conduzi-la ao crescimento, agora o ruim é você. Porque essa pessoa não quer cura, quer apenas alguém que lamba suas feridas. E, então, ela vai para outro pastor e falará mal de você.

Isso acontece porque algumas pessoas estão fechadas para a verdade. Elas não querem ser transformadas, mas sim encontrar alguém que as conforte sem confronto. A Palavra de Deus nos alerta sobre isso: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (2 Timóteo 4:3).

Por isso, sempre aconselho pastores que me procuram dizendo: "Pastor, tem problema se fulano saiu da igreja tal e veio falar comigo?" Eu digo: "Problema, não. Mas você precisa conhecer a versão do outro lado, a versão do pastor anterior." Muitas vezes, a pessoa chega contando uma história em que o pastor dela era rígido demais, insensível, e você acaba acreditando. Mas é questão de tempo para ela causar os mesmos problemas com você, porque o problema não estava no pastor anterior, mas na própria pessoa.

Infelizmente, há muitas igrejas sendo formadas a partir de dissidentes de outras igrejas. Isso, para mim, é uma maldição. Se a pessoa causou problemas lá, muito provavelmente causará problemas aqui também, porque não está interessada na transformação e no crescimento espiritual.

O pastor que apenas lambe feridas sempre terá ao seu redor pessoas que não querem mudança genuína. Já fui esse tipo de pastor em alguns momentos, sem perceber, até que entendi que meu papel não é agradar, mas falar a verdade em amor. Jesus disse: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32). Verdade liberta, mas, antes, dói. A correção dói, mas gera fruto de justiça (Hebreus 12:11).

Muitos pastores começam seu ministério com base apenas na teoria, mas esquecem que o verdadeiro aprendizado vem da combinação de três fatores: teoria, prática e fruto. Só saber teoria não basta. É preciso aplicar, ver os resultados e aprender com eles. "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7:16).

Igrejas que se formam apenas com dissidentes de outras igrejas não prosperam no Reino. Já passei por isso. Já tive grupos onde, ao olhar, percebi que quase ninguém ali era novo convertido. Eram apenas pessoas que não se encaixavam em lugar nenhum, que saíam de igreja em igreja, procurando um pastor que dissesse o que queriam ouvir. Esse não é o evangelho! O evangelho é transformação, arrependimento e frutos dignos dessa mudança (Mateus 3:8).

Precisamos nos apegar à verdade e deixar que o Espírito Santo faça a obra. Se não há fruto do Espírito, não é evangelho. Pode ser psicologia, filosofia, boas ações – mas não é evangelho. O evangelho genuíno gera transformação e maturidade espiritual.

Que possamos sempre ensinar com amor, mas sem abrir mão da verdade. Pois é a verdade, e não a bajulação, que realmente liberta e traz vida abundante em Cristo.

Eu já cheguei a ouvir uma pessoa falar por quatro horas sem intervalo e sem me dar espaço para responder. Isso aconteceu na Alemanha. Imagine-se sentado, ouvindo alguém por quatro horas seguidas, sem pausas e sem a oportunidade de expor sua visão. Enquanto você se mantém nessa posição de ouvinte, a pessoa deseja estar com você. Mas no momento em que você diz: "Agora que te ouvi, permita-me falar", a situação muda. Quando você começa a trazer a verdade em amor (“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” – Efésios 4:15), muitos se afastam, porque não buscavam a verdade, mas apenas um ouvido disposto a escutá-los. Quando o remédio é oferecido, muitos rejeitam, pois não estavam interessados na cura, apenas em um alívio momentâneo.

Isso não ocorre apenas no contexto da igreja ou da conversão, mas no mundo de forma geral. Muitas pessoas não querem mudança ou transformação, apenas um espaço para desabafar. Ao longo dos ministérios por onde passei, cometi erros — é impossível conviver com pessoas sem falhar com elas — mas percebi que um dos maiores problemas das denominações é a necessidade de se enquadrar em um padrão que, muitas vezes, não condiz com a identidade e o chamado de cada um.

Hoje, no Brasil, há muitos apóstolos, apesar de a teologia reformada, que respeito como irmãos em Cristo, não reconhecer esse ministério. No entanto, biblicamente, o ministério apostólico também forma apóstolos, assim como Paulo formou Barnabé (“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” – Atos 13:2). No entanto, o que acontece hoje é que muitos apóstolos não formam outros apóstolos porque veem isso como uma ameaça, como uma competição por posição.

Essa falta de entendimento é um reflexo de uma mentalidade errada dentro das denominações, que transforma o ministério em um ambiente de competição. Em vez de treinar pessoas para serem excelentes, muitos acabam sabotando aqueles que possuem potencial, por medo de perderem sua própria posição. Isso é um reflexo do espírito do anticristo, pois “anticristo” pode significar tanto “oposto” quanto “no lugar de” Cristo (“Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora” – 1 João 2:18).

Muitos hoje estão cegos por ideologias, seja da direita ou da esquerda, sem perceberem que só existem dois reinos: o de Cristo e o do mundo (“Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” – Mateus 12:30). Esse sistema mundial, independente de partidos ou ideologias, trabalha para que os cristãos não percebam a verdadeira batalha espiritual em curso.

Dentro das igrejas, muitos estão utilizando princípios de manipulação, como os descritos no livro "As 48 Leis do Poder" de Robert Greene. Esse livro é usado por políticos e líderes para gerir e manipular pessoas, e alguns pastores têm aplicado essas estratégias dentro da igreja, o que é um erro gravíssimo. A gestão da igreja não pode se basear em estratégias mundanas, mas sim na direção do Espírito Santo (“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” – Romanos 12:2).

Meu livro "Destronando Bezerros de Ouro" trata exatamente disso: a adoção de um sistema mundano dentro da igreja. Algumas pessoas, quando lancei meus livros anteriores, chegaram a me chamar de "desigrejado" e acusaram-me de querer criar uma seita. Mas a verdade é que muitas pessoas idolatram a estrutura e o CNPJ de suas igrejas, sem perceberem que estão colocando o sistema institucional acima do Reino de Deus. Quando a prioridade deixa de ser as pessoas e passa a ser a manutenção da estrutura, algo está profundamente errado.

A verdadeira batalha não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades (“Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” – Efésios 6:12). A igreja precisa despertar e compreender que sua luta é espiritual, e que precisamos voltar à simplicidade do evangelho, onde Cristo é o centro e não um sistema religioso que aprisiona seus membros.

É vital reavaliar onde estamos caminhando e lembrar que Jesus nunca precisou de estruturas humanas para operar. Ele nos chamou para sermos luz e sal (“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” – Mateus 5:14), e não para ficarmos presos a um sistema que muitas vezes impede o avanço do Reino de Deus. 

O objetivo desta escrita é libertar as pessoas, não fechar as igrejas. O propósito não é o encerramento de congregações, mas sim a libertação dos indivíduos para que os vocacionados exerçam o chamado de Deus através do Espírito Santo. Quando se fala a verdade para alguém e essa verdade gera resistência e afastamento, qual espírito está operando nessa pessoa? Certamente, não o Espírito de Cristo, pois aquele que é de Deus ama e recebe a verdade (João 8:47). Em 2 Tessalonicenses 2:10-12, está escrito que Deus envia a operação do erro para aqueles que rejeitaram a verdade:

"E com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." (2 Tessalonicenses 2:10-12)

Quando alguém rejeita a verdade repetidamente, Deus permite que essa pessoa seja entregue ao engano. Assim, aqueles que rejeitam a verdade acabam se unindo a falsos profetas que falam aquilo que lhes agrada. A própria Palavra já nos alerta sobre isso:

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." (2 Timóteo 4:3-4)

Não é à toa que hoje há tantos falsos profetas. Eles são levantados como juízo sobre aqueles que rejeitam a verdade. Deus não apenas permite, mas envia essa operação do erro para que os rebeldes sejam iludidos pelos enganos que escolheram seguir. Como está escrito em Mateus 24:24:

"Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos."

Por isso, Paulo adverte Timóteo a cuidar da sua doutrina para que ele mesmo e aqueles que o ouvem sejam salvos:

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem." (1 Timóteo 4:16)

Seguir a verdade pode trazer perdas materiais, amigos, apoiadores e até ofertas, mas o importante é perseverar até o fim:

"Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo." (Mateus 24:13)

Aqueles que rejeitam a verdade buscarão mestres que falem aquilo que querem ouvir. Eles encontrarão falsos profetas que ensinarão um evangelho distorcido, centrado em dogmas, regras e benefícios materiais, sem a verdadeira essência de Cristo.

Muitos desses líderes utilizam técnicas de manipulação e controle para manter as pessoas presas às suas igrejas e doutrinas. Em vez de serem guiados pelo Espírito Santo, usam estratégias humanas, como política e diplomacia, para controlar a mente e as emoções dos fiéis. Isso não vem de Deus, pois Jesus nos chamou para a liberdade:

"Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão." (Gálatas 5:1)

A verdadeira Igreja de Cristo não está limitada a um prédio. Onde houver dois ou mais reunidos em nome de Jesus, ali Ele estará (Mateus 18:20). Isso não significa que não devemos congregar ou ter líderes espirituais. Pelo contrário, a comunhão e a liderança são princípios bíblicos fundamentais:

"Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas." (Hebreus 13:17)

O Espírito Santo não isola os crentes em suas convicções. Ele promove a unidade do Corpo de Cristo:

"Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor." (Efésios 4:15-16)

Portanto, ninguém pode estar acima de Deus em sua vida. Devemos honrar e respeitar os nossos líderes, mas sem torná-los intermediários entre nós e Deus. Os verdadeiros líderes nos ajudam a crescer em Cristo, tornando-nos cada vez mais dependentes do Espírito Santo e menos deles mesmos:

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem." (1 Timóteo 2:5)

Muitos novos convertidos acabam caindo em grupos que pregam que não há necessidade de igreja, de liderança ou de comunhão. Isso gera um espírito de autossuficiência e orgulho que impede essas pessoas de se submeterem à correção e ao crescimento espiritual. O orgulho e a falta de submissão são evidências da carne, e não do Espírito:

"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo." (Filipenses 2:3)

Infelizmente, por motivos de uma mentalidade enraizada na imaturidade da vaidade, alguns ministérios são administrados com base em estratégias humanas e não pela direção do Espírito Santo. Há uma tentação constante de seguir atalhos para o crescimento ministerial, aceitando parcerias e métodos que não vêm de Deus. Mas a verdadeira obra de Deus deve ser guiada pelo Espírito e não por artimanhas humanas:

"Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus." (1 Coríntios 3:9)

Portanto, precisamos ter discernimento espiritual para não cairmos no engano. Precisamos permanecer firmes na verdade, buscar a direção do Espírito Santo e rejeitar tudo o que não está alinhado com a Palavra de Deus. Sempre nos manter fiéis a Cristo, sendo luz neste mundo de trevas.

"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21)

O versículo 1 Tessalonicenses 5:21 – "Examinai tudo. Retende o bem." – faz parte das exortações finais que o apóstolo Paulo dá à igreja de Tessalônica. Para entender melhor o contexto, vamos analisar o trecho completo:

Contexto: 1 Tessalonicenses 5:19-22

"Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda aparência do mal."

Paulo está orientando os cristãos a manterem uma postura equilibrada diante das manifestações espirituais, especialmente das profecias. Ele ensina que:

"Não extingais o Espírito" – Eles não deveriam resistir ou impedir a atuação do Espírito Santo.

"Não desprezeis as profecias" – As profecias eram uma forma de Deus comunicar Sua vontade, e os crentes não deveriam rejeitá-las sem discernimento.

"Examinai tudo. Retende o bem." – Os tessalonicenses deviam testar todas as coisas, julgando pela verdade bíblica, e segurar apenas aquilo que era bom e verdadeiro.

"Abstende-vos de toda aparência do mal." – Depois de examinar, deveriam evitar tudo o que fosse errado ou enganoso.

Esse versículo nos ensina sobre discernimento espiritual. Devemos:

Ouvir e aprender, mas sem aceitar tudo de forma cega.

Comparar qualquer ensinamento com a Palavra de Deus.

Guardar o que é bom e rejeitar o que não está alinhado com a verdade bíblica.

Essa orientação é muito útil nos dias de hoje, quando há tantas doutrinas e ensinamentos sendo espalhados. A Palavra de Deus nos convida a sermos criteriosos, buscando sempre a verdade em Cristo

Depois que você entra nesse caminho, muitas vezes não tem mais como voltar atrás sem um grande custo. A única opção pode ser começar do zero. Mas aí surge outro dilema: o que dizer às pessoas que você envolveu nesse sistema? Como explicar para elas que aquilo que você mesmo apresentou agora já não faz sentido? Muitas podem até duvidar de sua credibilidade, dizendo: "você me trouxe para isso e agora saiu? Como confiar em você?" Esse é o peso da responsabilidade. Por isso, não ceda! Permaneça firme até o fim.

Jesus nos alertou sobre a importância da perseverança: "Mas aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mateus 24:13). Pode haver momentos difíceis, portas que se fecham, mas manter-se na verdade é essencial. No fim, quando estivermos diante de Cristo, só poderemos apresentar aquilo que foi proposto por Ele. Nossa missão não é agradar os homens, mas cumprir a vontade de Deus.

Muitas vezes, tentamos fazer para Deus aquilo que Ele não nos pediu. Mas será que conseguimos impressionar Deus com isso? "Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade" (2 Coríntios 13:8). O grande perigo é que, no fundo, algumas dessas tentativas são motivadas pela vaidade. Todos gostamos de reconhecimento, de ser respeitados, de prosperar. Mas será que estamos realmente buscando a glória de Deus ou apenas nos tornando o reflexo de nossa vaidade expressa em "ostentação espiritual"?

É um autoexame constante. A alma pode tentar nos convencer de que há um atalho, uma maneira mais fácil, mais lucrativa, mais confortável. Mas "há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Provérbios 14:12). A verdadeira prosperidade não está em riquezas materiais ou status, mas na paz e na plenitude que vêm de andar em obediência a Deus.

Além disso, ter fé não significa ser soberano sobre Deus. O fato de jejuarmos, orarmos e declararmos a Palavra não nos torna senhores do nosso destino. Continuamos dependentes do nosso Senhor. "O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9). Fé não é ferramenta de manipulação; é confiança e submissão à vontade de Deus.

Há quem já tenha cruzado a linha para a feitiçaria sem perceber, usando princípios espirituais para controlar pessoas e circunstâncias. A Bíblia é clara: "Porque a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a obstinação é como a iniquidade e idolatria" (1 Samuel 15:23). Quando a fé se torna uma ferramenta de manipulação em vez de uma expressão de confiança em Deus, estamos em perigo espiritual.

Então, o melhor caminho é sempre o relacionamento genuíno com o Espirito Santo, buscando saber exatamente o que Ele quer para nós, ao invés de tentarmos impor nossa própria vontade. "Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas" (Provérbios 3:5-6).

Leonardo Lima Ribeiro 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Será que entendemos do que falamos?

 


Nos últimos tempos, temos ouvido falar muito sobre teologias diversas, principalmente em meio a escândalos e divergências. Como cristãos, infelizmente, muitas vezes temos nos tornado motivo de constrangimento perante o mundo, em vez de sermos um verdadeiro testemunho do Evangelho. Isso nos leva a refletir: o que temos transmitido como Igreja?

Sabemos que as notícias ruins se espalham mais rápido e que os ministérios de grande alcance acabam sendo mais expostos quando ocorre algum escândalo. No entanto, isso não significa que não existam frutos bons sendo produzidos. A grande questão é: e nós, que não estamos em evidência midiática? Como tem sido o nosso testemunho no lar, no trabalho e na comunidade? (Mateus 5:16)

Este capítulo é para você, cristão comum, que tem sua vida cotidiana, seu trabalho, sua igreja local e o desejo sincero de conhecer a verdade e andar nela. Também é para aqueles que têm um chamado ministerial, sejam pastores, líderes ou pessoas buscando amadurecimento e entendimento sobre a maturidade cristã.

Nas redes sociais, temos observado quatro pontos divergentes ou antagônicos:

Graça e Lei;

Religião e Vida no Espírito;

Coerência entre discurso e ações;

Realidade e Idealismo.

Graça e Lei

O Evangelho da Graça enfatiza a obra consumada de Cristo, enquanto alguns o interpretam erroneamente como "Hipergraça", sugerindo que é uma permissão para o pecado (Romanos 6:1-2). Por outro lado, há aqueles que ainda se apegam aos rudimentos da Lei, esquecendo-se de que Jesus cumpriu a Lei e estabeleceu uma Nova Aliança (Hebreus 8:6-13).

A questão não é apenas discutir qual doutrina é correta, mas refletir: qual é o nosso testemunho para a sociedade? O mundo não entende teologia, mas observa nossas atitudes. Podemos falar sobre a graça, mas se ainda agimos conforme um legalismo interior, demonstramos incoerência (Tiago 1:22).

Testemunho e o Mundo

Muitas vezes, tentamos ensinar conceitos complexos sem primeiro estabelecer os fundamentos. Para um novo convertido, conceitos como "Lei" e "Graça" são desconhecidos. Ele precisa ser acompanhado em fundamentos como arrependimento, fé, amor e identidade em Cristo (Hebreus 6:1-2).

A questão essencial é: quem nos tornamos após conhecer a Cristo? "Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Coríntios 5:17). Nosso testemunho fala mais alto do que nossa pregação. Podemos ter um vasto conhecimento doutrinário, mas se nossas atitudes não refletem Cristo, nossa mensagem perde força (Mateus 7:16-20).

Caráter e Vida no Espírito

O verdadeiro cristianismo não é apenas argumentação teológica, mas uma transformação de caráter. O apóstolo Paulo nos ensina que o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5:22-23). O primeiro traço do novo nascimento é um caráter benigno, ou seja, inclinado para o bem.

Jesus nos alertou que seríamos conhecidos pelo amor que demonstramos uns pelos outros (João 13:35). Um coração regenerado transparece essa realidade em suas atitudes, e não apenas em discursos eloquentes.

O desafio que lanço é este: ao invés de nos preocuparmos apenas em defender um ponto de vista teológico, que possamos refletir sobre como nossa vida tem expressado a graça de Deus. Que possamos crescer na compreensão das Escrituras, mas também amadurecer no testemunho. A doutrina é essencial, mas sem uma vida transformada, ela se torna vazia (Tiago 2:17).

Portanto, seja você um líder ou um cristão comum, lembre-se: nosso maior chamado é refletir a imagem de Cristo ao mundo (Romanos 8:29). Como Paulo disse: "Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo." (1 Coríntios 11:1). Que possamos viver não apenas em palavras, mas em espírito e em verdade (João 4:24).

Deus é bom, Ele é benigno, e o Seu caráter é benigno. Assim, a pessoa que é nascida de novo e verdadeiramente convertida manifestará, em primeiro lugar, a benignidade. Como está escrito em Gálatas 5:22-23: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; contra estas coisas não há lei."

Não adianta apenas ter conhecimento teológico se esse conhecimento não resulta em transformação de vida. Muitos se apoiam na teologia da graça, mas, na prática, não expressam essa graça através de um comportamento transformado. O apóstolo Paulo enfatiza isso em Romanos 6:1-2: "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum! Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?"

O comportamento é o reflexo do que realmente cremos. Existe uma grande diferença entre a benignidade e a autoindulgência. Alguns podem afirmar que entenderam a graça, mas, na realidade, justificam suas falhas e pecados sem arrependimento verdadeiro. Entretanto, o verdadeiro arrependimento envolve mudança de mente e comportamento, conforme Romanos 12:2: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."

A religiosidade muitas vezes leva ao legalismo, onde a pessoa tenta alcançar justiça própria, esquecendo que a justificação vem somente por Cristo (Efésios 2:8-9). No entanto, um grande perigo é usar a teologia da graça como um pretexto para não viver uma vida de transformação genuína. Tiago 1:22 adverte: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos."

O verdadeiro convertido não apenas entende intelectualmente a graça, mas a manifesta em sua vida diária. Um dos maiores sinais de uma vida transformada é a disposição para reconhecer erros e pedir perdão. A humildade para admitir falhas e buscar reconciliação demonstra maturidade espiritual. Como está escrito em Mateus 5:23-24: "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta."

A benignidade se manifesta na ausência de malícia, na integridade e na coerência entre o que se prega e o que se vive. Jesus disse em Mateus 7:16: "Por seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?" Portanto, devemos buscar não apenas conhecer a graça, mas vivê-la, permitindo que o Espírito Santo produza em nós os frutos que testificam da nossa nova vida em Cristo.

A mensagem da graça é poderosa e transformadora, pois revela o amor imensurável de Deus e a justificação que temos em Cristo (Efésios 2:8-9). No entanto, a verdadeira compreensão da graça se reflete no comportamento, e não apenas no discurso. Quando se observa malícia, má fé, arrogância, mentira e autoindulgência sob o pretexto de viver a graça, há uma distorção grave do evangelho (Gálatas 5:13).

A fé nos leva à semelhança com Cristo, que é benigno e imutável (Hebreus 13:8). Jesus ensinou claramente: “Amai ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12:30-31). Essa expressão do amor é incompatível com uma vida de engano, orgulho e dureza de coração. O verdadeiro arrependimento, que é uma mudança de mente (metanoia), implica transformação de vida e frutos visíveis (Mateus 3:8).

Muitos se apropriam do discurso da graça, mas não demonstram os frutos do Espírito, como amor, bondade e benignidade (Gálatas 5:22-23). A justificação em Cristo não anula a necessidade de pedir perdão quando erramos, pois a reconciliação é essencial nas relações cristãs (Mateus 5:23-24). Não se trata de viver em culpa, mas de compreender que a graça nos ensina a renunciar à impiedade e viver de forma justa (Tito 2:11-12).

Infelizmente, o que se vê são relações superficiais e falta de responsabilidade interpessoal. Poucos chegam e dizem: "Me perdoa, eu errei" (Tiago 5:16). Em vez disso, vê-se autojustificação mascarada como entendimento da graça. Mas Cristo nos chama à verdade e à humildade (Filipenses 2:3-5).

A hipergraça, mal compreendida, leva alguns a negligenciarem os princípios básicos da ética e moral. No entanto, Paulo orienta que líderes espirituais devem ter um caráter irrepreensível, ser sensatos e justos (Tito 1:7-9). A ética e o respeito nas relações são expressões práticas do amor ao próximo.

Essa falta de responsabilidade relacional tem feito com que muitos busquem nos pregadores da lei e nos "coachs" seculares aquilo que deveria ser encontrado na comunidade cristã: integridade e maturidade. A igreja deveria ser o lugar onde se ensina não só a justificação pela fé, mas também a vivência da nova vida em Cristo (2 Coríntios 5:17).

O desafio é claro: se a graça verdadeiramente nos alcançou, ela deve nos tornar pessoas mais humildes, reconciliadoras e dispostas a pedir e oferecer perdão (Colossenses 3:13). A graça não nos isenta de responsabilidade, pelo contrário, ela nos chama à maturidade e à verdade (Efésios 4:15).

Assim, que cada um reflita: há alguém que precisamos procurar para pedir perdão? Há algo que devemos corrigir? Se a resposta for sim, então que a graça nos leve ao quebrantamento e à restauração, pois "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes" (Tiago 4:6).

A pessoa adultera, trai a esposa e tenta usar a justificação do Evangelho para tal ato, esquecendo que o adultério, mesmo fora do contexto do Evangelho, continua sendo um erro. Socialmente e em termos de relações, permanece errado. Assim, mesmo que a pessoa não fosse crente, ela precisaria se retratar e restaurar a situação.

No entanto, alguns entram no Evangelho e dizem: "Agora estou coberto, posso fazer o que quero porque estou sob a graça". Mas isso é uma confusão, pois a graça não permite o pecado. Como está escrito: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum! Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Romanos 6:1-2).

O problema se agrava quando as atitudes daqueles que pregam e ensinam mostram uma incongruência com o que é ensinado. Todo ensino precisa ser justificado em uma realidade; do contrário, ele é apenas uma teoria. Assim como a lei da gravidade foi provada e é uma realidade, a verdade do Evangelho também precisa ser manifesta na vida dos que o seguem. "Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?" (Mateus 7:16).

Se o Evangelho que pregamos é verdadeiro, ele deve ser eficaz em nossa vida a ponto de nos tornar mais humildes, quebrantados e respeitosos. Se, ao contrário, ele nos torna mais prepotentes, inflexíveis e orgulhosos em nossas convicções teológicas, algo está errado. Como disse Tiago: "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma" (Tiago 2:17). A justificação é pela fé, mas a prova de que a fé é verdadeira se dá através das obras.

Muitos dizem que a justificação não é por obras, mas por fé, e está correto. Contudo, as obras testificam a fé verdadeira. Jesus comparou aqueles que têm apenas aparência de piedade a "nuvens sem água" (Judas 1:12). Assim, um crente que apenas crê, mas não produz frutos, é como uma árvore estéril: "Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo" (Mateus 7:19).

O que temos visto são pessoas que dizem ter fé, mas não apresentam transformação. Como pode o Evangelho não mudar nem mesmo o mensageiro? A graça verdadeira gera frutos, caso contrário, trata-se apenas de um discurso vazio. "Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8:36).

A verdade, quando transmitida, primeiramente transforma o mensageiro. Se a verdade passa por alguém e não produz frutos, então ou o coração dessa pessoa está endurecido ou o que ela está ouvindo não é a verdade. "O que caiu na boa terra são os que, ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança" (Lucas 8:15).

A transformação é o que testifica o verdadeiro Evangelho. O mundo conhecerá os cristãos pelo amor que existe entre eles (João 13:35). Não é através de pirotecnia, luzes, efeitos sensoriais ou discursos intelectualmente sofisticados que o Evangelho será reconhecido. "Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder" (1 Coríntios 4:20).

A intelectualidade pode embriagar, mas a verdade liberta. O que converte não é um discurso bem elaborado ou uma falsa unção produzida por artifícios humanos. "Se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber" (1 Coríntios 8:2).

Por fim, precisamos sair do idealismo e viver a realidade que Cristo nos oferece. O idealismo é a projeção de nossas expectativas e carências em alguma ideologia. A realidade é Cristo e a nova vida que Ele nos proporciona. "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Romanos 12:2).

O alvo deve ser sempre colocar nossa completa dependência em Jesus para que, pelo Espírito Santo, sejamos guiados à verdade que transforma e frutifica. Essa é a realidade que Ele nos oferece. Jesus não nos proporciona idealismo, mas sim uma realidade transformadora e concreta.

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)

A proposta para você hoje é: saia do idealismo e entre na realidade do Evangelho verdadeiro. Pergunte a si mesmo: Você é benigno? As pessoas te reconhecem pela sua benignidade, pelo seu amor, pelo seu testemunho de Cristo? Ou você é mais conhecido por sua intelectualidade e capacidade argumentativa?

“Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:16)

Muitas vezes podemos nos apegar tanto à lógica e ao conhecimento teológico que nos esquecemos do essencial: os frutos do Espírito em nossa vida. O conhecimento por si só, sem transformação e sem frutos dignos de arrependimento, torna-se vazio.

“Se eu tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tivesse amor, nada seria.” (1 Coríntios 13:2)

Talvez você assista a algum vídeo, leia um livro ou ouça uma pregação e pense: “Isso está errado, não concordo.” Mas a pergunta que devemos nos fazer é: qual é o fruto dessa mensagem? Nenhum teólogo ou pastor na Terra conseguirá expor 100% correto todo o conselho de Deus, pois estamos todos aprendendo e sendo moldados por Ele.

Devemos nos apegar aos fundamentos inegociáveis da fé: a obra da cruz, a ressurreição de Cristo, a justificação pela fé. Esses pontos são claros nas Escrituras e nos conduzem à verdade.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8-9)

Mas e quanto à nossa vida? O Evangelho que pregamos está gerando fruto? A Graça de Deus tem transformado o nosso coração?

O verdadeiro arrependimento (metanoia) é a mudança de mente, da mente do orgulho para a mente de Cristo. E o que significa ter a mente de Cristo? Significa viver em humildade, quebrantamento, amor e disposição para servir e perdoar.

“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens.” (Filipenses 2:5-7)

Se a Graça não está produzindo frutos em sua vida, talvez você esteja apenas acumulando conhecimento e não permitindo que a Palavra transforme seu coração. O Evangelho verdadeiro produz amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5:22-23).

“Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.” (Filipenses 4:5)

Reflita: a Graça de Deus está transformando sua vida? Sua caminhada com Cristo tem sido marcada por frutos do Espírito? Se não, talvez seja o momento de deixar o conhecimento descer da mente para o coração, permitindo que Ele realmente mude sua vida.

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

Assista a esta mensagem mais de uma vez, leia, medite, ore, e permita que o Espírito Santo guie você à verdade plena. Deus abençoe sua vida e que você viva a realidade do Evangelho de Cristo!

Leonardo Lima Ribeiro 

A Conexão Hebraica — O Óleo, a Unção e o Derramamento

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